CAPÍTULO 9. Como os irmãos foram enviados pelo mundo

40. Terminado o capítulo, Francisco abençoava todos os irmãos presentes e. como lhe parecia melhor, enviava-os pelas várias províncias. A todos aqueles que possuíam o espírito de Deus e tinham capacidade para falar, fossem clérigos ou leigos, dava licença e obediência para pregar. E estes recebiam a sua bênção com grande alegria e contentamento no Senhor Jesus Cristo. Andavam pelos caminhos do mundo como estrangeiros e peregrinos, não carregando nada consigo, além dos livros necessários para as horas litúrgicas.

Onde quer que se encontravam com um sacerdote, sem olhar se era pobre ou rico, eles o reverenciavam humildemente, como Francisco lhes havia ensinado.

E quando paravam nalgum lugar, preferiam pedir hospedagem aos padres, não ao povo.

41. Se o sacerdote não os podia receber em sua casa, informavam-se: "Quem é que neste lugar, pessoa espiritual ou temente a Deus, pode receber-nos honestamente em sua casa?" Com o correr do tempo, o Senhor inspirava a algum bom cristão em cada cidade ou nas aldeias, para preparar-lhes uma habitação; até que eles, mais tarde, construíram as suas habitações nas cidades e nas regiões.

O Senhor dava-lhes palavra e espírito conforme as necessidades, onde estivessem em condições de proferir palavras capazes de penetrar o coração de muitos ouvintes, mais dos jovens do que dos anciãos. Aqueles deixavam pai, mãe e haveres e seguiam-nos tomando o hábito da Ordem. E então se cumpriu literalmente a palavra do Senhor no Evangelho: "Não vim trazer a paz à terra, mas a espada. Pois vim separar o filho de seu pai, a filha de sua mãe" (Mt 10,34-35). Aqueles que os frades recebiam, eram trazidos ao bem-aventurado Francisco, que lhes impunha o hábito.

Do mesmo modo, muitas moças e viúvas, ouvindo a pregação dos frades, vinham pedir conselho: "E nós, o que podemos fazer? Não é possível ficar convosco. Dizei-nos então como devemos fazer para salvar nossa alma". Para tal fim foram construídos mosteiros de clausura em cada cidade, onde viviam em penitência. E um dos frades era encarregado do ofício de visitador e animador das reclusas.

Da mesma forma diziam os casados: "Nós temos a esposa, que não podemos mandar embora. Portanto, ensinai-nos o caminho da salvação". Assim nasceu o que se chama a Ordem da Penitência, aprovada pelo Sumo Pontífice.