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40. Terminado o capítulo, Francisco abençoava todos os irmãos
presentes e. como lhe parecia melhor, enviava-os pelas várias
províncias. A todos aqueles que possuíam o espírito de Deus e
tinham capacidade para falar, fossem clérigos ou leigos, dava
licença e obediência para pregar. E estes recebiam a sua bênção
com grande alegria e contentamento no Senhor Jesus Cristo. Andavam
pelos caminhos do mundo como estrangeiros e peregrinos, não carregando
nada consigo, além dos livros necessários para as horas litúrgicas.
Onde quer que se encontravam com um sacerdote, sem olhar se era pobre
ou rico, eles o reverenciavam humildemente, como Francisco lhes havia
ensinado.
E quando paravam nalgum lugar, preferiam pedir hospedagem aos padres,
não ao povo.
41. Se o sacerdote não os podia receber em sua casa,
informavam-se: "Quem é que neste lugar, pessoa espiritual ou
temente a Deus, pode receber-nos honestamente em sua casa?" Com o
correr do tempo, o Senhor inspirava a algum bom cristão em cada
cidade ou nas aldeias, para preparar-lhes uma habitação; até que
eles, mais tarde, construíram as suas habitações nas cidades e nas
regiões.
O Senhor dava-lhes palavra e espírito conforme as necessidades,
onde estivessem em condições de proferir palavras capazes de penetrar
o coração de muitos ouvintes, mais dos jovens do que dos anciãos.
Aqueles deixavam pai, mãe e haveres e seguiam-nos tomando o hábito
da Ordem. E então se cumpriu literalmente a palavra do Senhor no
Evangelho: "Não vim trazer a paz à terra, mas a espada. Pois
vim separar o filho de seu pai, a filha de sua mãe" (Mt
10,34-35). Aqueles que os frades recebiam, eram trazidos ao
bem-aventurado Francisco, que lhes impunha o hábito.
Do mesmo modo, muitas moças e viúvas, ouvindo a pregação dos
frades, vinham pedir conselho: "E nós, o que podemos fazer? Não
é possível ficar convosco. Dizei-nos então como devemos fazer para
salvar nossa alma". Para tal fim foram construídos mosteiros de
clausura em cada cidade, onde viviam em penitência. E um dos frades
era encarregado do ofício de visitador e animador das reclusas.
Da mesma forma diziam os casados: "Nós temos a esposa, que não
podemos mandar embora. Portanto, ensinai-nos o caminho da
salvação". Assim nasceu o que se chama a Ordem da Penitência,
aprovada pelo Sumo Pontífice.
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