CAPÍTULO 10. Como os cardeais, favoráveis aos frades, começaram a dar-lhes conselhos e ajudá-los

42. O venerável Cardeal João de São Paulo, que muito freqüentemente dava conselho e apoio a Francisco, elogiava, diante dos outros cardeais, os méritos e a atividade de Francisco e de todos os seus irmãos. Sabendo disso, aqueles dignitários tiveram uma afetuosa simpatia pelos frades, e cada um deles queria ter um desses irmãos consigo, já não como servidor, mas por causa da devoção e o grande amor que sentiam para com eles.

Certa vez, quando o bem-aventurado Francisco chegou à Cúria Papal, cada um dos cardeais pediu-lhe um frade; o santo concedeu-lhos benevolamente.

Chegando o dia de sua morte, o díto Cardeal João descansou em paz, porque tinha amado os pobres de Deus.

43. Então o Senhor inspirou um cardeal de nome Hugolino, bispo de Óstia, que intimamente amou Francisco e seus frades, não só como um amigo, mas realmente como um pai. Francisco se apresentou a ele por tê-lo ouvido falar favoravelmente. E Hugolino o recebeu dizendo: "Eu me ofereço a vós para conselho, ajuda e proteção, como quereis; e quero que vos lembreis de mim em vossas orações".

O bem-aventurado Francisco rendeu graças ao Altíssimo, que havia inspirado o coração de Hugolino a fazer-se conselheiro, colaborador e protetor, e lhe disse: "Quero, espontaneamente, ter-vos como pai e senhor meu e de todos os meus irmãos, e que todos os frades rezem a Deus por vós". Em seguida convidou-o a participar do capítulo de Pentecostes. Ele aceitou e dele participou cada ano.

À sua chegada, os frades vinham ao seu encontro em procissão. Chegando perto deles, apeava do cavalo e seguia a pé, juntamente com os frades, até a igreja, em cuja devoção fazia uma volta ao seu redor. Em seguida, fazia um sermão, celebrava a missa, e o bem-aventurado Francisco cantava o Evangelho.