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46. Haviam passado vinte anos desde que Francisco se consagrara a
uma vida de perfeição; agora o Senhor misericordioso quis que ele
repousasse de suas fadigas. De fato se cansara muito nas vigílias,
nas orações e jejuns, nas súplicas, nas pregações, nas viagens,
nas preocupações, na compaixão para com o próximo. Havia
oferecido seu coração totalmente a Deus, seu Criador, e o amava do
profundo de sua alma e com todas as suas entranhas. Levava a Deus no
coração, louvava-o com, a boca, glorificava-o com as ações. E
se alguém proferia o nome de Deus, dizia: "O céu e a terra deviam
inclinar-se a este nome".
Querendo Deus mostrar a todos o amor com que o amava, assinalou o
corpo de Francisco com as chagas de seu Filho diletíssimo. E porque
o servo de Deus desejava entrar no templo da glória divina, o Senhor
o chamou para junto de si. Assim Francisco passou, gloriosamente,
deste mundo para o Pai.
Depois da morte dele apareceram muitos sinais e milagres no meio do
povo, de maneira que os corações de tantos, que tinham ficado
indiferentes e não acreditavam naquilo que Deus havia mostrado em seu
servo, enterneceram-se e exclamaram: "Considerávamos sua vida como
uma loucura, e sua morte como uma vergonha. Ei-lo agora acolhido no
número dos filhos de Deus e sua herança está entre os santos!"
(Sb 5,4-5).
47. O venerável senhor e pai, Papa Gregório, venerou, também
depois da morte, o santo que amara em vida. E vindo ele, juntamente
com os cardeais, ao lugar onde estava enterrado o corpo de Francisco,
colocou o nome dele no catálogo dos santos.
Depois disso, muitos homens famosos e nobres, abandonando tudo,
converteram-se ao Senhor com sua esposa, filhos, filhas e a família
inteira. As mulheres e as filhas entraram nos mosteiros, os pais e os
filhos tomaram o hábito dos frades menores.
Assim se cumpriu o que Francisco tinha predito: "Dentro de não
muito tempo virão ter conosco muitos sábios, prudentes e nobres, e
ficarão conosco".
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