CAPÍTULO 12. Morte de São Francisco, seus milagres e canonização

46. Haviam passado vinte anos desde que Francisco se consagrara a uma vida de perfeição; agora o Senhor misericordioso quis que ele repousasse de suas fadigas. De fato se cansara muito nas vigílias, nas orações e jejuns, nas súplicas, nas pregações, nas viagens, nas preocupações, na compaixão para com o próximo. Havia oferecido seu coração totalmente a Deus, seu Criador, e o amava do profundo de sua alma e com todas as suas entranhas. Levava a Deus no coração, louvava-o com, a boca, glorificava-o com as ações. E se alguém proferia o nome de Deus, dizia: "O céu e a terra deviam inclinar-se a este nome".

Querendo Deus mostrar a todos o amor com que o amava, assinalou o corpo de Francisco com as chagas de seu Filho diletíssimo. E porque o servo de Deus desejava entrar no templo da glória divina, o Senhor o chamou para junto de si. Assim Francisco passou, gloriosamente, deste mundo para o Pai.

Depois da morte dele apareceram muitos sinais e milagres no meio do povo, de maneira que os corações de tantos, que tinham ficado indiferentes e não acreditavam naquilo que Deus havia mostrado em seu servo, enterneceram-se e exclamaram: "Considerávamos sua vida como uma loucura, e sua morte como uma vergonha. Ei-lo agora acolhido no número dos filhos de Deus e sua herança está entre os santos!" (Sb 5,4-5).

47. O venerável senhor e pai, Papa Gregório, venerou, também depois da morte, o santo que amara em vida. E vindo ele, juntamente com os cardeais, ao lugar onde estava enterrado o corpo de Francisco, colocou o nome dele no catálogo dos santos.

Depois disso, muitos homens famosos e nobres, abandonando tudo, converteram-se ao Senhor com sua esposa, filhos, filhas e a família inteira. As mulheres e as filhas entraram nos mosteiros, os pais e os filhos tomaram o hábito dos frades menores.

Assim se cumpriu o que Francisco tinha predito: "Dentro de não muito tempo virão ter conosco muitos sábios, prudentes e nobres, e ficarão conosco".