CAPÍTULO 4. Como admoestou os irmãos e os mandou pelo mundo

18. Francisco, cheio de graça do Espírito Santo, predisse o que aconteceria aos seus amigos. Chamou para perto de si estes seis frades que tinha e, na floresta que rodeava a Porciúncula (ia freqüentemente rezar naquela igreja), disse-lhes: "Caríssimos irmãos, consideremos a nossa vocação: Deus misericordioso não nos chamou apenas para o nosso proveito, mas também para o proveito e a salvação de muitos. Portanto, andemos pelo mundo exortando e instruindo homens e mulheres com a palavra e com o exemplo, para que façam penitência de seus pecados e se lembrem dos mandamentos do Senhor, que já por longo tempo esqueceram".

E disse mais: "Pequeno rebanho, não tenhais medo (Lc 12,32), mas tende confiança em Deus. Não digais: ‘Somos homens rudes e sem instrução: como faremos para pregar?’ Em vez disso, lembrai-vos das palavras que Jesus dirigiu a seus discípulos: ‘Não sois vós que falais, mas o Espírito de vosso Pai falará em vós’ (Mt 10,20). O próprio Senhor vos comunicará espírito e sabedoria para exortar e mostrar aos homens e mulheres o caminho e as ações dos seus preceitos. Encontrareis fiéis mansos, humildes e benévolos, que vos receberão com alegria e amor. Outros encontrareis que não crêem, soberbos e blasfemadores, que se oporão a vós, injuriando-vos a vós e a vossas palavras. Por isso, preparai-vos para suportar tudo com paciência e humildade".

Quando ouviram estas palavras, os irmãos ficaram com medo. Vendo a apreensão deles, Francisco acrescentou: "Não tenhais medo! Sabei que dentro de não muito tempo virão ter conosco muitos sábios, prudentes e nobres, e ficarão junto conosco. Pregarão às multidões e aos povos, aos reis e aos príncipes, e muitos se converterão ao Senhor. E o Senhor multiplicará sua família pelo mundo inteiro".

Dito isso, deu-lhes a bênção e eles partiram.