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18. Francisco, cheio de graça do Espírito Santo, predisse o
que aconteceria aos seus amigos. Chamou para perto de si estes seis
frades que tinha e, na floresta que rodeava a Porciúncula (ia
freqüentemente rezar naquela igreja), disse-lhes: "Caríssimos
irmãos, consideremos a nossa vocação: Deus misericordioso não nos
chamou apenas para o nosso proveito, mas também para o proveito e a
salvação de muitos. Portanto, andemos pelo mundo exortando e
instruindo homens e mulheres com a palavra e com o exemplo, para que
façam penitência de seus pecados e se lembrem dos mandamentos do
Senhor, que já por longo tempo esqueceram".
E disse mais: "Pequeno rebanho, não tenhais medo (Lc
12,32), mas tende confiança em Deus. Não digais: ‘Somos
homens rudes e sem instrução: como faremos para pregar?’ Em vez
disso, lembrai-vos das palavras que Jesus dirigiu a seus
discípulos: ‘Não sois vós que falais, mas o Espírito de vosso
Pai falará em vós’ (Mt 10,20). O próprio Senhor vos
comunicará espírito e sabedoria para exortar e mostrar aos homens e
mulheres o caminho e as ações dos seus preceitos. Encontrareis
fiéis mansos, humildes e benévolos, que vos receberão com alegria e
amor. Outros encontrareis que não crêem, soberbos e blasfemadores,
que se oporão a vós, injuriando-vos a vós e a vossas palavras.
Por isso, preparai-vos para suportar tudo com paciência e
humildade".
Quando ouviram estas palavras, os irmãos ficaram com medo. Vendo a
apreensão deles, Francisco acrescentou: "Não tenhais medo!
Sabei que dentro de não muito tempo virão ter conosco muitos
sábios, prudentes e nobres, e ficarão junto conosco. Pregarão às
multidões e aos povos, aos reis e aos príncipes, e muitos se
converterão ao Senhor. E o Senhor multiplicará sua família pelo
mundo inteiro".
Dito isso, deu-lhes a bênção e eles partiram.
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