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Verdadeiramente amigo e imitador de Cristo, Francisco desprezava
sinceramente todas as vaidades do mundo e acima de tudo execrava o
dinheiro; pela palavra e pelo exemplo, levava seus frades a fugirem
dele como do próprio demônio. Exortava-os a não darem mais valor
ao dinheiro que a excrementos. Aconteceu que um dia um leigo entrou na
igreja de Santa Maria da Porciúncula para rezar e como esmola
depositou uma moeda aos pés da cruz. Depois que ele se retirou, um
frade com toda simplicidade apanhou-a, colocando-a sobre uma das
janelas.
Quando São Francisco tomou conhecimento do fato, aquele frade,
sentindo-se culpado, correu imediatamente a pedir-lhe perdão,
prostrando-se por terra, para receber o castigo. O Seráfico Pai
repreendeu-o severamente por ter pegado em dinheiro. Ordenou-lhe que
o retirasse da janela com os lábios e o levasse para fora do recinto do
convento, e o depositasse, sempre com os lábios, sobre excrementos
de asno. Tendo aquele frade executado o que lhe foi ordenado, todos
os que presenciaram este fato ou tiveram notícia dele ficaram cheios de
grande temor e desde então desprezavam ainda mais o dinheiro,
comparado a excrementos de asno. E cada dia, alimentado por novos
exemplos, crescia mais este desprezo pelo dinheiro.
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