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Em outra ocasião disse o Seráfico Pai: "A Ordem e a vida dos
frades menores é semelhante a um pequeno rebanho que o Filho de
Deus, nos últimos tempos, pediu a seu Pai celeste dizendo:
'Pai, quisera eu que tu formasses e me desses, nestes últimos
tempos, um povo novo e humilde, diferente de todos os que lhe
precederam, por sua humildade e por sua pobreza, e que se contentasse
apenas em me possuir, a mim somente'. E ouvindo isto, o Pai
celeste lhe respondeu: 'Meu Filho bem-amado, o que pediste
ser-te-á concedido"'.
Por isto, assegurava o bem-aventurado pai que Deus quis, e assim o
revelou, que os religiosos se chamassem “frades menores", por serem
eles aquele povo, pobre e humilde, que o Filho pediu ao Eterno
Pai, povo do qual o próprio Filho de Deus havia dito no
Evangelho: "Não temais, pequeno rebanho, porque aprouve a vosso
Pai vos dar um reino por herança". E ainda: "O que fizestes a um
destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim que o fizestes". E,
embora o Senhor falasse de todos os pobres de espirito, referia-se de
modo particular à Ordem dos Frades Menores que deveria aparecer mais
tarde na sua Igreja.
Como tivesse sido revelado a são Francisco que a sua Ordem deveria
chamar-se dos "Frades Menores", fêlo constar na primeira Regra
que apresentou ao Papa Inocêncio III, que a aprovou e promulgou
perante todo o consistório. Do mesmo modo revelou-lhe o Senhor a
saudação que os frades deveriam empregar, conforme o santo o mandou
escrever em seu Testamento com estas palavras: "O Senhor me revelou
a fórmula de saudação que devemos usar: 'Que o Senhor te dê a
paz!"'
Nos primórdios da Ordem, como o santo viajasse em companhia de um
dos primeiros doze frades, este saudava os homens e as mulheres pelos
caminhos e nos campos dizendo: "Que o Senhor te dê a paz!" Como
aquela gente não estivesse acostumada a ouvir de outros religiosos este
gênero de saudação, admirava-se muito ao ouvi-la. Mais ainda,
alguns lhe replicavam indignados: "Que significa este modo de
saudar-nos?" Com isto, envergonhou-se aquele frade e suplicou ao
santo: "Permite-me usar outra saudação". Mas São Francisco
lhe respondeu: "Deixa-os dizer, pois não discernem os caminhos do
Senhor. Quanto a ti, não te envergonhes, porque os nobres e
poderosos deste mundo te hão de testemunhar veneração e respeito, a
ti e aos outros irmãos, por causa desta saudação. Com efeito,
não há nada de mais extraordinário do que o fato de o Senhor ter
desejado um povo novo, pobre e humilde, diferente de todos os que o
precederam, por sua vida e suas palavras, que se contentasse em
possuí-lo, a Ele somente, altíssimo e glorioso Senhor.
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