CAPÍTULO 5. Da observância da pobreza nos livros, nos leitos, nas casas e nos utensílios

O bem-aventurado pai ensinava a seus frades a buscarem nos livros não o valor material, mas o testemunho do Senhor, não a beleza, mas o proveito espiritual. Por essa razão, queria que eles tivessem apenas alguns livros, em comum, e sempre à disposição dos que tivessem necessidade deles. Ademais reinava tal pobreza nas enxergas e nas camas, que trapos estendidos sobre palhas eram tidos como leitos luxuosos e macios. Além disso ensinava a seus frades a construírem casas toscas e pobres, cabanas de madeira, nunca de pedras, de humílimo aspecto. Não só detestava o luxo das casas como também a excessiva abundância e requinte nos utensílios. Desejava que nada nas mesas e nas louças fizesse lembrar as pompas do mundo, mas que tudo proclamasse a pobreza de seus moradores, ressaltando-lhes a condição de peregrinos e exilados.