CAPÍTULO 7. Como quis demolir uma casa que o povo de Assis havia construído junto a Santa Maria da Porciúncula

Como se aproximasse a época em que se devia realizar o capítulo geral que todo ano se celebrava em Santa Maria da Porciúncula, os habitantes de Assis, considerando que os frades cada ano se tornavam mais numerosos, que ali se reunam todos os anos e que não tinham para se abrigarem senão um casebre com paredes de ramagens revestidas de barro e cobertas de palha, deliberaram entre si, com devoção e piedade, construir uma casa grande e espaçosa de pedra e cal, aproveitando para tanto a ausência do santo. Ao regressar de certa província para assistir à celebração do capítulo não pôde o Seráfico Pai conter a sua admiração e surpresa por ver que haviam construído uma casa grande. Temeroso de que os frades com este exemplo pretendessem construir casas excessivamente grandes nos lugares onde habitavam ou haveriam de habitar no futuro, e, ademais, como desejasse que a Porciúncula servisse de exemplo e modelo para todas as casas da Ordem, antes de terminar o capítulo, subiu ao telhado e ordenou aos frades que o acompanhassem. Depois, todos juntos, começaram a jogar por terra as telhas que a cobriam com o propósito de demoli-la até aos alicerces. Mas os cavaleiros de Assis que montavam guarda àquele lugar por causa da grande multidão de gente, vinda de toda a parte para ver ó capítulo dos frades, vendo que o santo com os seus irmãos pretendiam demolir a casa, foram ter com ele e lhe disseram: "Frade, esta casa pertence à comuna de Assis e nós estamos aqui para representá-la; impedir-te-emos, portanto, de demoli-la". Ouvindo isto São Francisco respondeu-lhes: "Bem, se esta casa vos pertence, não tocarei nela". E imediatamente tanto ele como seus frades desceram do telhado.

Por isso o povo de Assis decidiu que no futuro os prefeitos deveriam fazer naquela casa todos os consertos e reparos necessários. Durante muito tempo, esta determinação foi executada anualmente.