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Completamente absorvido pelo amor de Deus, São Francisco via a
bondade não somente na sua alma adornada da perfeição das virtudes,
mas também em todas as criaturas. Eis por que as amava de modo
particular e profundo, especialmente aquelas em que vislumbrava a
representação de uma qualidade divina ou de algo que pertencesse à
Ordem.
Entre todas as aves, amava especialmente a uma pequenina chamada
cotovia, ou como se diz comumente "cotovia de capuz". Dizia dela:
"A irmã cotovia ostenta seu capuz como um religioso, e é um humilde
pássaro que percorre voluntariamente os caminhos para encontrar
qualquer grão e, embora o encontre no esterco o retira e come. No
seu vôo canta suavemente os louvores ao Senhor, como os bons
religiosos já desligados da terra, cujos pensamentos estão sempre
voltados para o céu e o fervor para o louvor a Deus. Suas vestes,
isto é, suas plumas, são semelhantes à terra dando deste modo
exemplo aos religiosos a não levarem vestes finas e de bela
coloração, mas hábitos de preço e cor semelhante à terra que é o
mais vil dos elementos.
Por ver em tais avezinhas todas estas qualidades, gostava muito de
encontrá-las. Por isso pediu ao Senhor que estas mesmas avezinhas
lhe testemunhassem um sinal de amor na hora de sua morte. Na tarde de
sábado antes da noite em que morreu, após as Vésperas, um bando de
cotovias se reuniu sobre o teto da casa onde jazia deitado.
Puseram-se a voar em volta da casa, circundando o telhado e cantando
docemente, como se louvassem ao Senhor.
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