CAPÍTULO 116. Como não quis apagar o fogo que queimava suas calças nem permitiu que o apagassem

De todas as criaturas inferiores e insensíveis, o santo tinha particular afeição pelo fogo por causa de sua beleza e utilidade. Eis por que não permitia jamais que o impedissem de realizar suas funções.

Um dia, quando se encontrava perto do fogo, seus calções de linho começaram a queimar-se à altura do joelho sem que ele desse conta disso. Embora sentisse o calor do fogo não quis apagá-lo. Seu companheiro, ao ver a fazenda pegar fogo, precipitou-se para apagá-lo, mas ele o impediu, dizendo: "Não, meu caríssimo irmão, não faças mal ao irmão Fogo!" E não permitiu de forma alguma que o irmão o apagasse.

Mas o irmão foi às pressas procurar o irmão guardião e o levou à presença de São Francisco. Imediatamente, contra a vontade deste último, o fogo foi extinto. Desde então, embora fosse indispensável fazê-lo, não queria jamais que se apagasse um fogo, uma lâmpada ou uma candeia, tal era o seu amor por este elemento.

Nem sequer permitia que um irmão atirasse sobre o fogo um tição fumegante, de um lugar a outro, como se costuma fazer. Antes, desejava que o pusessem cuidadosamente sobre o solo em sinal de respeito para com Deus de quem ele é criatura.