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Depois do irmão Fogo, amava de modo todo particular a água porque
simboliza a santa penitência e as tribulações pelas quais as almas
enxovalhadas são purificadas e porque a primeira ablução da alma se
faz com a água do batismo.
Quando lavava as mãos procurava um lugar apropriado de modo que a
água que caísse não fosse calcada aos pés. Quando andava por sobre
pedras, fazia-o com grande reverência e respeito por amor àquele que
disse ser pedra. E quando recitava o Salmo "Sobre o rochedo me
ergueste..." fazia-ócom grande respeito e devoção, e dizia:
"Sobre o rochedo debaixo de meus pés tu me ergueste".
E recomendava ao irmão que cortava e preparava a lenha para o fogo que
jamais abatesse a árvore inteira, mas cortasse de maneira que lhe
restasse sempre uma parte intata por amor daquele que quis realizar
nossa salvação sobre o lenho da cruz.
Costumava dizer ao irmão que tomava conta do jardim que não ocupasse
todo o terreno com legumes, mas reservasse uma parte para as árvores
que, em seu tempo, produzem nossas irmãs flores, por amor para com
aquele que disse: "a flor dos campos e os lírios dos vales".
Recomendava ainda ao jardineiro que reservasse sempre uma parte do
jardim para as ervas odoríferas e plantas que produzem belas flores a
fim de que, em seu tempo, elas convidassem ao louvor de Deus os
homens que vissem tais ervas e flores. Pois toda criatura diz e
proclama: "Deus me criou para ti, ó homem". Nós que vivemos com
ele vimo-lo rejubilar-se interior e exteriormente à vista de todas as
criaturas. Era tal o seu amor por estas maravilhosas criaturas que,
ao tocá-las ou vê-las, seu espírito parecia não mais pertencer à
terra, mas ao céu. Por causa do grande consolo que recebeu destas
criaturas, compôs pouco antes de sua morte os "Louvores do Senhor
nas suas criaturas" para incitar os corações dos que os ouvissem a
louvar a Deus e para louvar, ele próprio, ao Senhor nas suas
criaturas.
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