CAPÍTULO 119. Como exaltava o sol e o fogo acima de todas as criaturas

Acima de todas as criaturas destituídas de razão, São Francisco nutria um amor todo particular pelo sol e pelo fogo. Costumava dizer, com efeito: "De manhã, quando o sol se levanta, todos os homens deveriam louvar a Deus que o criou para nossa utilidade, pois é por ele que nossos olhos São iluminados durante o dia. Do mesmo modo, à tarde, quando desce a noite, todos os homens deveriam glorificar a Deus pelo nosso irmão Fogo pelo qual nossos olhos são iluminados durante a noite. Na verdade, somos todos como cegos e o Senhor ilumina nossos olhos por meio destes nossos irmãos. Portanto, devemos louvar de maneira toda especial nosso Criador por causa destas e de todas as outras criaturas, das quais nós nos servimos cada dia".

E foi isto que nosso pai São Francisco fez durante toda sua vida.

Além disso, quando a doença se agravou ainda mais, punha-se a cantar os "Louvores do Senhor através de suas criaturas" que compusera tempos atrás. E fazia que fossem cantados também por seus companheiros para que, pensando no louvor do Senhor, esquecessem a aspereza de suas penas e de suas enfermidades.

Porque considerava o sol a mais bela das criaturas - pois tinha o privilégio de ser semelhante a Deus - e porque na Sagrada Escritura o próprio Deus intitulou-se a si mesmo como "Sol da Justiça", pôs o seu nome à testa dos Louvores que compôs, quando o Senhor lhe assegurou que entraria no seu reino, e denominou-os "Cântico do Irmão Sol".