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Por este tempo um médico de Arezzo, chamado Bom João, muito
ligado ao santo, veio lhe fazer uma visita no palácio episcopal de
Assis. Em conversa com ele São Francisco o interpelou nestes
termos: "Que pensas tu, irmão, de minha enfermidade?" Não quis
chamá-lo pelo seu verdadeiro nome por não querer jamais chamar a
ninguém de "bom", em respeito para com o Senhor que disse:
"Ninguém é bom, senão Deus". Do mesmo modo não chamava a
ninguém de mestre ou pai, nem mesmo nas suas cartas, por respeito
para com o Senhor que dissera também: "Não vos chameis de mestre,
pois não tendes senão um mestre... Não chameis a ninguém de pai
na terra, pois não tendes senão um, o Pai celeste".
Ao ouvi-lo, o médico respondeu: "Irmão, ficarás bom, pela
graça de Deus". Mas São Francisco replicoulhe: "Dize-me a
verdade! Que pensas das minhas enfermidades? Não tenhas medo de me
dizer a verdade, pois, pela graça de Deus, não sou tão medroso a
ponto de temer a morte. Com a graça do Espírito Santo, estou tão
unido a meu Senhor que igualmente estarei contente de viver ou de
morrer".
O médico falou-lhe então com toda a franqueza: "Pai, mediante os
conhecimentos de medicina, tua moléstia é incurável; penso que
morrereis no fim de setembro ou a 4 de outubro".
Ouvindo isto, o santo patriarca estendeu as mãos para o Senhor com
grande devoção e respeito, excluindo, com grande alegria de corpo e
de alma: "Bendita sejas tu, minha irmã Morte".
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