CAPÍTULO 122. Como induziu o médico a lhe revelar quantos dias de vida lhe restavam

Por este tempo um médico de Arezzo, chamado Bom João, muito ligado ao santo, veio lhe fazer uma visita no palácio episcopal de Assis. Em conversa com ele São Francisco o interpelou nestes termos: "Que pensas tu, irmão, de minha enfermidade?" Não quis chamá-lo pelo seu verdadeiro nome por não querer jamais chamar a ninguém de "bom", em respeito para com o Senhor que disse: "Ninguém é bom, senão Deus". Do mesmo modo não chamava a ninguém de mestre ou pai, nem mesmo nas suas cartas, por respeito para com o Senhor que dissera também: "Não vos chameis de mestre, pois não tendes senão um mestre... Não chameis a ninguém de pai na terra, pois não tendes senão um, o Pai celeste".

Ao ouvi-lo, o médico respondeu: "Irmão, ficarás bom, pela graça de Deus". Mas São Francisco replicoulhe: "Dize-me a verdade! Que pensas das minhas enfermidades? Não tenhas medo de me dizer a verdade, pois, pela graça de Deus, não sou tão medroso a ponto de temer a morte. Com a graça do Espírito Santo, estou tão unido a meu Senhor que igualmente estarei contente de viver ou de morrer".

O médico falou-lhe então com toda a franqueza: "Pai, mediante os conhecimentos de medicina, tua moléstia é incurável; penso que morrereis no fim de setembro ou a 4 de outubro".

Ouvindo isto, o santo patriarca estendeu as mãos para o Senhor com grande devoção e respeito, excluindo, com grande alegria de corpo e de alma: "Bendita sejas tu, minha irmã Morte".