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Depois disto um frade lhe disse: "Pai, tua vida e teu exemplo foram
e ainda são uma luz e um espelho não somente para teus frades mas
também para toda a Igreja, e o mesmo será a tua morte. Assim,
embora ela seja motivo de tristeza e de dor para teus frades, para ti
será uma consolação e uma alegria infinita. Passarás de um grande
trabalho ao repouso, de numerosas penas e tentações para a paz
eterna, da pobreza material, que tu sempre amaste e perfeitamente
serviste, para a vida eterna, onde vereis o Senhor teu Deus face a
face, a Ele que neste mundo amaste e desejaste com um amor tão
ardente".
Em seguida acrescentou com toda a franqueza: "Pai, sabe em verdade
que se o Senhor não te enviar um remédio do céu, tua moléstia é
incurável e que te resta, conforme afirmam os médicos, poucos dias
de vida. Digo-te isto para reconfortar teu espírito e para que te
fortaleças interior e exteriormente no Senhor, a fim de que os frades
e os leigos que te visitam te encontrem sempre alegre no Senhor e que
depois de tua morte isto seja uma recordação perpétua para os que a
presenciaram ou ouviram falar como foram tua vida e tua morte".
Mas o santo, embora sofresse mais do que de costume, parecia estar
possuído de uma nova alegria, por saber que sua irmã Morte estava
próxima. Com grande fervor de espírito louvou o Senhor, dizendo:
"Já que apraz ao Senhor que eu morra brevemente, chamai-me Frei
Angelo e Frei Leão para que eles cantem a minha irmã Morte".
Quando os dois frades se apresentaram diante dele, cheios de piedade e
tristeza, e com olhos banhados em lágrimas, começaram a cantar "O
Cântico do Irmão Sol e das outras criaturas do Senhor", que ele
próprio compusera.
Ao chegarem ao penúltimo verso, o santo compôs mais alguns versos em
louvor irmã Morte, dizendo:
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Louvado sejas, meu Senhor,
Por nossa irmã a Morte corporal,
Da qual homem algum pode escapar.
Aí dos que morrerem em pecado mortal!
Felizes os que ela achar
Conformes à tua santíssima vontade,
Porque a morte segunda não lhes fará mal!
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