CAPÍTULO 37. Da penitência infligida a um frade por haver este feito mau juízo de um pobre

Como São Francisco tivesse ido a uma casa de frades, perto de Rocca di Brizio, para pregar, aconteceu que no dia de sua pregação aproximou-se dele um homem, pobre e doente. Movido de compaixão, discorria com seu companheiro sobre a pobreza e a enfermidade daquele homem. Mas, ao ouvi-lo, o companheiro comentou: "Irmão, é verdade que ele parece bastante pobre, mas é bem possível que em toda esta província não haja alguém que, tanto como ele, tenha o desejo de ser rico". Por este juízo temerário foi severamente repreendido pelo santo e reconheceu a sua falta. Vendo a sua aflição, perguntou-lhe o Seráfico Pai: "Queres fazer a penitência que te ordenar?" "Desejo-o de todo o coração, pai". "Vai, então, despe tua túnica e lança-te nu aos pés daquele pobre, dize-lhe como pecaste denegrindo-o e pede-lhe que reze por ti". O irmão foi e fez exatamente como o santo lhe ordenara. Depois soergueu-se, tomou sua túnica e voltou para junto do Seráfico Pai. Este então lhe pergunta: "Queres saber, irmão, em que pecaste contra este homem e contra Cristo? Quando vires um pobre, deverás considerar que ele vem em nome de Cristo, que pôs sobre ele a nossa pobreza e a nossa enfermidade. Portanto, a pobreza e a enfermidade deste homem devem ser para nós um espelho no qual devemos contemplar com devoção a enfermidade e a pobreza de Nosso Senhor Jesus Cristo que as suportou em seu corpo, para nossa salvação".