CAPÍTULO 38. Como fez dar um Novo Testamento a uma pobre mulher, mãe de dois frades

Outra vez, quando o santo morava em Santa Maria da Porciúncula, aproximou-se dele uma velhinha que tinha dois filhos na Ordem e lhe pediu uma esmola. Ao ouvi-la, perguntou a Frei Pedro Cattani, então ministro geral: "Podemos encontrar em casa alguma coisa para dar a nossa mãe?" Com efeito, o Seráfico Pai afirmava sempre que a mãe de um frade era não só a sua própria mãe, mas também a de todos os seus frades.

O ministro geral respondeu-lhe: "Não há nada em casa que possamos dar-lhe, pois ela deseja uma esmola com a qual possa remediar suas necessidades corporais. Na igreja temos apenas um Novo Testamento no qual fazemos nossas leituras matinais". - Naquele tempo os frades não tinham breviários, nem muitos saltérios. Então o santo ordena-lhe: "Dá este Novo Testamento a nossa mãe para que ela o venda e com o lucro possa prover às suas necessidades. Creio firmemente ser isto mais agradável a Nosso Senhor e à Santíssima Virgem do que fazermos nele nossas leituras". E lho deu. Pode-se pois dizer e escrever dele o mesmo que se lê do bem-aventurado Jó: "Sua caridade saiu com ele do seio materno e cresceu com ele".

Para nós que vivemos com ele seria difícil, senão impossível, relatar tudo o que vimos e ouvimos de outros, sobre sua caridade e comiseração para com os irmãos e os outros pobres, além do que nós mesmos vimos com nossos próprios olhos.