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Achando-se certa vez em Celano, durante o inverno, o Seráfico
Pai usava um pedaço de pano dobrado, em forma de manto, que um
benfeitor dos irmãos lhe havia emprestado. Acercou-se dele uma
velhinha pedindo esmola. Imediatamente o santo tomou o manto que lhe
pendia do pescoço e, embora não lhe pertencesse, deu-o à pobre
mulher, dizendo: "Vai, e faze um vestido para ti, pois tens muita
necessidade disto". A pobre mulher começou a rir e aturdida, não
sei se por causa do temor ou da alegria, tomou-lhe o manto das mãos e
temendo que se lho arrebatasse, caso permanecesse ali, pôs-se a
correr e em seguida cortou o pano com tesoura. Mas, percebendo que a
fazenda era insuficiente para um vestido, recorreu de novo à
generosidade do Seráfico Pai, dando-lhe a entender que aquele pano
era muito pequeno para fazer um vestido. O santo olhou para o
companheiro que também levava seu manto e lhe disse: "Ouviste o que
disse essa pobre mulher? Por amor de Deus, suporta o frio e dá o
teu manto para que ela possa terminar o seu vestido". Imediatamente o
companheiro, à imitação de São Francisco e por instância deste,
despiu-se de seu manto e deu-o àquela mulher. Eis como ambos se
despojaram de seus mantos para vestir uma pobre mulher.
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