CAPÍTULO 29. Como se despojou de suas vestes a si e a seu companheiro, para vestir uma pobre mulher

Achando-se certa vez em Celano, durante o inverno, o Seráfico Pai usava um pedaço de pano dobrado, em forma de manto, que um benfeitor dos irmãos lhe havia emprestado. Acercou-se dele uma velhinha pedindo esmola. Imediatamente o santo tomou o manto que lhe pendia do pescoço e, embora não lhe pertencesse, deu-o à pobre mulher, dizendo: "Vai, e faze um vestido para ti, pois tens muita necessidade disto". A pobre mulher começou a rir e aturdida, não sei se por causa do temor ou da alegria, tomou-lhe o manto das mãos e temendo que se lho arrebatasse, caso permanecesse ali, pôs-se a correr e em seguida cortou o pano com tesoura. Mas, percebendo que a fazenda era insuficiente para um vestido, recorreu de novo à generosidade do Seráfico Pai, dando-lhe a entender que aquele pano era muito pequeno para fazer um vestido. O santo olhou para o companheiro que também levava seu manto e lhe disse: "Ouviste o que disse essa pobre mulher? Por amor de Deus, suporta o frio e dá o teu manto para que ela possa terminar o seu vestido". Imediatamente o companheiro, à imitação de São Francisco e por instância deste, despiu-se de seu manto e deu-o àquela mulher. Eis como ambos se despojaram de seus mantos para vestir uma pobre mulher.