CAPÍTULO 30. Como tinha por roubo o não ceder seu manto a quem tivesse mais necessidade do que ele

Outro dia, ao retornar de Sena, encontrou, no caminho, um pobre e disse a seu companheiro: "Urge, irmão, cedamos a este pobre o nosso manto que, na verdade, lhe pertence, pois o recebemos de empréstimo, até que encontrássemos alguém mais pobre do que nós".

Mas vendo o companheiro que o Seráfico Pai tinha grande necessidade daquele manto, opôs-se com insistência a que ele remediasse o outro, esquecendo-se de si mesmo. Ante a recusa do frade, o santo replicou: "Não quero ser um ladrão, pois como tais seremos tidos, se não cedermos este abrigo a quem tiver mais necessidade dele do que nós". Proferidas estas palavras, entregou o manto ao pobre.