CAPÍTULO 32. Como, em virtude das esmolas de São Francisco, um pobre perdoou as Injúrias de seu amo e deixou de odiá-lo

Em Colle, na região de Perusa, São Francisco reencontrou um pobre homem que ele havia conhecido outrora, quando ainda vivia no século. Ao avistá-lo, perguntou-lhe: "Como vais, irmão?" Mas o pobre, enfurecido, começou a proferir injúrias contra seu amo, nestes termos: "Graças a meu amo, que o Senhor o amaldiçoe, vou muito mal. porque ele me esbulhou de todos os meus haveres".

E o santo, vendo-o persistir no seu ódio mortal, compadeceu-se de sua alma e lhe disse: "Irmão, por amor de Deus e para a salvação de tua alma, perdoa a teu amo que, talvez, te restitua o que te arrebatou. Caso contrário, além de teus bens, perderás a tua alma". Mas o homem retrucou-lhe: "Não posso perdoar-lhe de modo algum, se não me devolver antes o que me tomou". Então o santo lhe disse: "Toma, eu te dou este manto e te suplico que perdoes a teu amo por amor do Senhor Deus". Imediatamente abrandou-se o coração daquele homem que, movido por este benefício, perdoou a seu amo todas as injúrias que lhe fizera.