CAPÍTULO 35. Como deu, às escondidas, um pedaço de pano a um pobre

Em outra ocasião, um pobre foi à casa onde se encontrava o santo e pediu aos frades um pedaço de fazenda por amor de Deus. Ao ouvi-lo, ordenou o santo a um dos frades: "Corre a casa e vê se achas um pedaço ou uma peça de fazenda e dá a este pobre". Tendo percorrido em vão toda a casa, comunicou ao santo nada haver encontrado. Para que o pobre não voltasse de mãos vazias, São Francisco furtivamente, a fim de que o guardião não o impedisse, tomou uma faca e, sentando-se em um lugar oculto, pôs-se a descoser de sua túnica um pedaço de pano que estava costurado por dentro, a fim de dá-lo ocultamente àquele pobre. Mas, adivinhando o que se passava, o guardião foi-lhe ao encalço e proibiu-lhe de dar aquele pedaço de pano, sobretudo porque fazia então grande frio e o santo além de doente era muito friorento.

A esta proibição o santo respondeu: "Se queres que eu não dê este pedaço de pano, ordena que lhe seja dado outro pedaço qualquer, pois é absolutamente necessário que socorramos este pobre". Desta maneira, graças à intervenção de São Francisco, os frades deram, cada um, àquele pobre, um pedaço de fazenda de sua própria vestimenta. Quando, em pregações, percorria o mundo, costumava ir ora a pé, ora montado em um burro, quando ficou doente. Só viajava a cavalo em caso de grande e estrita necessidade, pois em outra circunstância não queria fazê-lo, e isto pouco antes de sua morte.

Se um frade lhe emprestava seu manto, não o aceitava senão na condição de lhe ser permitido dá-lo a qualquer pobre que encontrasse, ou que lhe aparecesse, sempre que em consciência lhe parecesse mais necessitado que ele.