CAPÍTULO 48. Como comparou a perfeita obediência a um cadáver

Outra vez, sentado entre seus companheiros, dizia suspirando: "Há apenas um religioso no mundo que obedece perfeitamente a seu superior".

Ao ouvi-lo, seus companheiros lhe perguntaram: "Dize-nos, pai, qual a mais perfeita e melhor obediência?" São Francisco respondeu-lhes então, descrevendo a verdadeira e perfeita obediência sob a figura de um cadáver: "Tomai um corpo sem vida e colocai-o onde quiserdes. Vereis então que ele não resistirá ao movimento, não se queixará da posição, não reclamará se o mudardes de lugar. Se o puserdes num trono, não olhará para o alto, mas para o chão, se o vestirdes de púrpura, parecerá duas vezes mais pálido. Tal é a verdadeira obediência: não pergunta por que o mudaram de posição, não se preocupa com o lugar onde o colocaram, não insiste para ser mandado alhures. Elevado a um cargo, conserva a humildade costumeira; quanto mais se vê cumulado de honra, tanto mais indigno se julga".

Considerava como santa obediência a que é imposta pura e simplesmente e não a que é solicitada. Julgava que a suprema obediência, aquela em que a carne e o sangue não têm parte alguma, é a que consiste em ir inspirado por Deus, para o meio dos infiéis, seja para ajudar o próximo, seja por desejar o martírio. No seu entender, pedir tais coisas era muito agradável a Deus.