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Outra vez, sentado entre seus companheiros, dizia suspirando: "Há
apenas um religioso no mundo que obedece perfeitamente a seu
superior".
Ao ouvi-lo, seus companheiros lhe perguntaram: "Dize-nos, pai,
qual a mais perfeita e melhor obediência?" São Francisco
respondeu-lhes então, descrevendo a verdadeira e perfeita obediência
sob a figura de um cadáver: "Tomai um corpo sem vida e colocai-o
onde quiserdes. Vereis então que ele não resistirá ao movimento,
não se queixará da posição, não reclamará se o mudardes de
lugar. Se o puserdes num trono, não olhará para o alto, mas para o
chão, se o vestirdes de púrpura, parecerá duas vezes mais pálido.
Tal é a verdadeira obediência: não pergunta por que o mudaram de
posição, não se preocupa com o lugar onde o colocaram, não insiste
para ser mandado alhures. Elevado a um cargo, conserva a humildade
costumeira; quanto mais se vê cumulado de honra, tanto mais indigno
se julga".
Considerava como santa obediência a que é imposta pura e simplesmente
e não a que é solicitada. Julgava que a suprema obediência, aquela
em que a carne e o sangue não têm parte alguma, é a que consiste em
ir inspirado por Deus, para o meio dos infiéis, seja para ajudar o
próximo, seja por desejar o martírio. No seu entender, pedir tais
coisas era muito agradável a Deus.
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