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O Seráfico Pai afirmava que os frades menores haviam sido enviados
pelo Senhor, naqueles tempos, para darem o bom exemplo aos que se
achavam envolvidos nas trevas do pecado. E confessava que quando ouvia
falar das maravilhas operadas pelos frades santos espalhados por todo o
mundo, sentia-se impregnado de suavíssimo odor e ungido das virtudes
de um óleo precioso. Sucedeu, pois, que em certa ocasião um frade
injuriou a outro na presença de um nobre da ilha de Chipre.
Percebendo que havia ofendido a seu companheiro e desejando
ardentemente punir-se por esta falta, apanhou um pouco de esterco do
chão, pô-lo na boca e o mordeu dizendo: "Que a lingua que
espalhou o veneno da cólera mastigue o esterco". Vendo aquilo, o
nobre encheu-se de admiração e retirou-se tão edificado que, pouco
depois, pôs sua pessoa e todos os seus bens à disposição dos
frades.
Todos eles tinham o costume de, quando um injuriasse ou magoasse o
outro, lançar-se imediatamente por terra, beijar os pés do irmão
ofendido e lhe pedir humildemente perdão. O Seráfico Pai
encheu-se de alegria ao constatar que seus frades haviam aprendido a
tirar de si mesmos exemplos de santidade. Por isso cumulava de
bênçãos os que, pela palavra e pelo exemplo, conduziam os pecadores
ao amor de Cristo. No zelo pelas almas, que o abrasava e enchia
totalmente, queria que seus frades fossem verdadeiramente semelhantes a
ele.
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