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Como se aproximasse o tempo do capítulo, São Francisco disse a seu
companheiro: "Não me parece que eu seja um verdadeiro frade menor,
se não estiver nas condições que vou te descrever: eis que os frades
me convidam ao capítulo com grande devoção e reverência. Movido
por esta piedade eu vou. Em assembléia eles me suplicam que anuncie a
palavra de Deus e pregue. Levanto-me e lhes prego o que o Espírito
Santo me ensinou. Suponhamos que, terminado o sermão, todos me
digam aos gritos: 'Não queremos mais que tu nos dirijas, pois não
tens a eloquência que o cargo requer e, além do mais, és demasiado
simples e ignorante. Envergonhar-nos-íamos de um superior tão
simples e tão desprezível. Não queremos, portanto, chamar-te
nosso superior!' E assim me despedissem com grande vergonha e
desprezo. Parece-me que não seria perfeito frade menor se não me
alegrasse quando eles me humilhassem, me depusessem vergonhosamente e
não me quisessem mais como superior do mesmo modo como me alegraria se
me honrassem e respeitassem! Nos dois casos o proveito e a utilidade
são os mesmos. Se me alegro quando me exaltam e honram por causa do
proveito que tiram disto e de sua piedade, o que pode ser um perigo
para minha alma, devo tanto mais me alegrar do proveito e salvação de
minha alma, quando me desprezam, pois disto advém para mim lucro
espiritual certo".
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