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São Francisco ficava profundamente penalizado quando percebia que se
negligenciava a virtude por causa da "vá ciência que ensoberbece",
sobretudo se um dos frades não perseverasse na vocação para a qual
havia sido primeiramente chamado. Nestas ocasiões costumava
falar-lhes nestes termos: "Os irmãos que se deixam arrastar por um
desejo exagerado de saber, nos dias das tribulações serão
encontrados de mãos vazias. Eis por que preferiria que vos
exercitásseis mais na prática da virtude a fim de que, quando chegar
este dia, o Senhor esteja convosco na vossa agonia, porque nos dias
de tribulações de nada vos servirão os livros que serão atirados
pelas janelas e encerrados nos mais escuros esconderijos".
Não falava assim porque o estudo das Sagradas Escrituras lhe
desagradasse, mas para os desviar de um zelo excessivo e inútil pelos
estudos. Preferia vê-los progredir na mais ardente caridade a
vê-los crescer nesta ciência fátua e enganadora.
Pressentia assim que em tempos vindouros, não muito remotos, a
ciência "que ensoberbece" acarretaria a ruína da Ordem. Assim,
um dia após a sua morte, vendo um de seus companheiros sofregamente
atarefado com o estudo da pregação, apareceu-lhe, repreendeu-o e,
mais ainda, proibiu que se consagrasse com tão imoderado empenho a
tais estudos. E ordenou-lhe que procurasse com afã seguir o caminho
da humildade e da simplicidade.
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