CAPÍTULO 69. Come previu e predisse que a ciência se tornaria ocasião de ruína para a Ordem e proibiu a um irmão se dedicar ao estudo da pregação

São Francisco ficava profundamente penalizado quando percebia que se negligenciava a virtude por causa da "vá ciência que ensoberbece", sobretudo se um dos frades não perseverasse na vocação para a qual havia sido primeiramente chamado. Nestas ocasiões costumava falar-lhes nestes termos: "Os irmãos que se deixam arrastar por um desejo exagerado de saber, nos dias das tribulações serão encontrados de mãos vazias. Eis por que preferiria que vos exercitásseis mais na prática da virtude a fim de que, quando chegar este dia, o Senhor esteja convosco na vossa agonia, porque nos dias de tribulações de nada vos servirão os livros que serão atirados pelas janelas e encerrados nos mais escuros esconderijos".

Não falava assim porque o estudo das Sagradas Escrituras lhe desagradasse, mas para os desviar de um zelo excessivo e inútil pelos estudos. Preferia vê-los progredir na mais ardente caridade a vê-los crescer nesta ciência fátua e enganadora.

Pressentia assim que em tempos vindouros, não muito remotos, a ciência "que ensoberbece" acarretaria a ruína da Ordem. Assim, um dia após a sua morte, vendo um de seus companheiros sofregamente atarefado com o estudo da pregação, apareceu-lhe, repreendeu-o e, mais ainda, proibiu que se consagrasse com tão imoderado empenho a tais estudos. E ordenou-lhe que procurasse com afã seguir o caminho da humildade e da simplicidade.