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Quando São Francisco e São Domingos se encontravam juntos, em
Roma, na presença do bispo de Óstia, que depois se tornou Papa,
enquanto falavam de Deus em termos mais doces que mel, o Senhor
Bispo de Óstia lhes falou assim: "Na Igreja primitiva os pastores
e os prelados eram pobres, ardentes de caridade e destituídos de
ambições. Por que não faremos de vossos frades bispos e prelados
que superarão os outros pelo testemunho e pelo exemplo?"
Estabeleceu-se então um diálogo humilde e piedoso entre os dois
santos, não que um quisesse convencer o outro, mas para ceder
alternativamente a palavra e levar o outro a uma resposta. Por fim
prevaleceu a humildade de São Francisco em não ser o primeiro a
responder, recaindo a escolha sobre são Domingos que humildemente
aceitou a incumbência de ser o primeiro a responder. São Domingos
então respondeu: "Senhor, com esta experiência meus frades
receberiam, por certo, grande honra; mas, tanto quanto puder
impedir, não permitirei que eles recebam nem mesmo a aparência de uma
dignidade".
Ao ouvi-lo, São Francisco inclinou-se ante o cardeal e lhe
disse: "Senhor, meus frades são chamados menores para que não
pretendam tornar-se maiores. Sua vocação os obriga a permanecer em
posição modesta e a seguir as pegadas de Cristo, a fim de, por este
meio, serem elevados mais que os outros aos olhos dos santos. Se,
pois, desejais que eles produzam frutos na Igreja de Deus,
conservai-os e mantende-os no estado de sua vocação e, mesmo que
eles aspirem a alguma honra, fazei-os voltar a sua antiga posição e
não permitais que sejam elevados a qualquer dignidade".
Ao se separarem, São Domingos pediu a São Francisco se dignasse
dar-lhe a corda com que estava cingido. Mas o Seráfico Pai recusou
por humildade o que São Domingos lhe pedira por amor. Por fim,
venceram os piedosos rogos do suplicante e São Francisco, movido
pela força do amor, cedeu sua corda a São Domingos que cingiu com
ela sua túnica inferior, usando-a desde então com grande devoção e
reverência.
Deram-se mutuamente as mãos e se recomendaram um ao outro com grande
doçura. São Domingos disse então a São Francisco:
"Desejaria, irmão Francisco, que tua Ordem e a minha não
formassem senão uma só, e que nós vivêssemos na Igreja sob a mesma
Regra".
Finalmente, quando se separaram, São Domingos disse aos que se
achavam presentes: "Em verdade vos digo, todas as religiões
deveriam Imitar este santo homem Francisco; tão perfeita é a sua
santidade".
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