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Querendo viver até a morte na humildade perfeita e na submissão,
muito tempo antes de ser estigmatizado, suplicou ao ministro geral:
"Rogo-te que delegues tua autoridade sobre mim a um de meus
companheiros, a quem obedecerei em teu lugar; em razão do salutar
efeito da obediência desejo que, na vida e na morte, tu permaneças
sempre comigo".
Desde então, até a morte, teve como guardião um de seus
companheiros, ao qual ele obedecia em lugar do ministro geral. Um
dia, chegou mesmo a afirmar a seus companheiros: "O Senhor me
concedeu, entre outras graças, a de obedecer pontualmente tanto a um
noviço que entrasse hoje na Ordem, se ele me fosse dado como
guardião, como ao mais velho e mais antigo na Ordem. Na verdade, o
súdito deve considerar seu superior, não como um homem, mas como
Deus, por cujo amor ele foi submetido a sua autoridade". Mais tarde
acrescentou; "Se eu quisesse, o Senhor me faria temido de meus
frades, mais do que qualquer superior o é de seus súditos neste
mundo. Mas Q Senhor me concedeu a graça de estar contente com
tudo, como o menor da Ordem".
Nós que vivemos com ele vimos com os próprios olhos que tudo isto se
passou como ele declarou. Se alguns frades não lhe davam satisfação
por algo de que ele tinha necessidade ou lhe diziam alguma palavra que,
de ordinário, irritaria os homens, imediatamente se punha em oração
e, ao retornar, não queria se lembrar mais do ocorrido. Jamais se
queixava: "Tal irmão não me deu satisfação" ou: "tal frade me
disse tal palavra".
Perseverou neste propósito até a morte. Quanto mais se aproximava
da morte, tanto maior era a sua ânsia de saber como poderia viver e
morrer com toda humildade e pobreza, na perfeição de todas as
virtudes.
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