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Tendo o Seráfico Pai, de algum modo, transformado os frades em
santos pelo ardor do seu amor e pelo zelo fervoroso que nutria pela
perfeição, examinava em si mesmo as qualidades e as virtudes de que
deveria ser dotado o bom frade menor. E dizia que seria um bom frade
menor o que reunisse em si a vida e os méritos destes santos frades:
"A fé de Frei Bernardo, que a tinha tão perfeita quanto seu amor
à pobreza; a simplicidade e a pureza de Frei Angelo que foi o
primeiro cavaleiro a entrar na Ordem e foi dotado de grande cortesia e
gentileza; a distinção e o bom senso natural de Frei Masseo com sua
bela e piedosa eloquência; o espírito elevado à contemplação que
Frei Gil teve em toda perfeição; a prece virtuosa e constante de
Frei Rufino que rezava constantemente, sem parar: fosse dormindo ou
trabalhando seu espírito estava sempre com o Senhor; a paciência de
Frei Junípero que alcançou um estado de paciência perfeita, porque
tinha constantemente na consciência a evidente realidade de sua
própria vileza e um ardente desejo de imitar a Cristo, seguindo a via
da cruz; o vigor corporal e espiritual de Frei João das laudes que
no seu tempo suplantava em força corporal os outros homens; a caridade
de Frei Rogério cuja vida inteira e a conversão foram inspiradas por
uma fervente caridade; enfim, a inquietação de Frei Lúcio que
estava sempre muito preocupado, não querendo ficar em um mesmo lugar
mais que um mês, pois quando começava a gostar de um lugar punha-se
de novo a caminho, dizendo: 'Não temos morada aqui, mas no
céu"'.
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