QUINTA PARTE

Do zelo testemunhado por São Francisco pela perfeição dos frades


CAPÍTULO 85. Como descreveu o frade perfeito

Tendo o Seráfico Pai, de algum modo, transformado os frades em santos pelo ardor do seu amor e pelo zelo fervoroso que nutria pela perfeição, examinava em si mesmo as qualidades e as virtudes de que deveria ser dotado o bom frade menor. E dizia que seria um bom frade menor o que reunisse em si a vida e os méritos destes santos frades: "A fé de Frei Bernardo, que a tinha tão perfeita quanto seu amor à pobreza; a simplicidade e a pureza de Frei Angelo que foi o primeiro cavaleiro a entrar na Ordem e foi dotado de grande cortesia e gentileza; a distinção e o bom senso natural de Frei Masseo com sua bela e piedosa eloquência; o espírito elevado à contemplação que Frei Gil teve em toda perfeição; a prece virtuosa e constante de Frei Rufino que rezava constantemente, sem parar: fosse dormindo ou trabalhando seu espírito estava sempre com o Senhor; a paciência de Frei Junípero que alcançou um estado de paciência perfeita, porque tinha constantemente na consciência a evidente realidade de sua própria vileza e um ardente desejo de imitar a Cristo, seguindo a via da cruz; o vigor corporal e espiritual de Frei João das laudes que no seu tempo suplantava em força corporal os outros homens; a caridade de Frei Rogério cuja vida inteira e a conversão foram inspiradas por uma fervente caridade; enfim, a inquietação de Frei Lúcio que estava sempre muito preocupado, não querendo ficar em um mesmo lugar mais que um mês, pois quando começava a gostar de um lugar punha-se de novo a caminho, dizendo: 'Não temos morada aqui, mas no céu"'.