CAPÍTULO 88. Como ao aproximar-se a morte demonstrou seu amor aos frades dando-lhes um bocado de pão, a exemplo de Cristo

Uma noite, o santo sofria tanto de seus achaques que não pôde repousar nem dormir durante toda a noite. Ao amanhecer, como as dores arrefecessem um pouco, mandou chamar todos os frades do convento e fá-los sentarem-se em volta de si e os olhava como se eles representassem todos os frades.

Pousando a mão direita sobre a cabeça de cada um deles, abençoou-os a todos, presentes e ausentes, e ainda todos quantos no futuro ingressassem na Ordem, até o fim do mundo. Parecia-lhes que o Seráfico Pai sofria muito por não poder ver a todos os seus frades e filhos antes de sua morte.

Todavia, querendo imitar na morte seu Senhor e Mestre, como o havia feito tão perfeitamente em vida, mandou trazer-lhe alguns pães, benzeu-os e fê-los partir em vários pedacinhos, pois não podia parti-los ele mesmo, por causa de sua grande fraqueza. Depois, tomando-os, deu um pedaço a cada frade, ordenando-lhe que o comesse todo.

Assim como o Senhor antes de sua morte quis tomar uma refeição com os apóstolos, na Quinta-feira Santa, em sinal de seu amor, o Seráfico Pai, seu fiel imitador, quis dar aos frades a mesma mostra de amor.

Assim procedeu à semelhança de Cristo, pois perguntou em seguida se era quinta-feira. E, como fosse outro dia, respondeu que pensava ser quinta-feira. Um de seus frades conservou um pedacinho deste pão. Depois da morte do santo, vários enfermos que o experimentaram foram curados imediatamente.