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Uma noite, o santo sofria tanto de seus achaques que não pôde
repousar nem dormir durante toda a noite. Ao amanhecer, como as dores
arrefecessem um pouco, mandou chamar todos os frades do convento e
fá-los sentarem-se em volta de si e os olhava como se eles
representassem todos os frades.
Pousando a mão direita sobre a cabeça de cada um deles,
abençoou-os a todos, presentes e ausentes, e ainda todos quantos no
futuro ingressassem na Ordem, até o fim do mundo. Parecia-lhes que
o Seráfico Pai sofria muito por não poder ver a todos os seus frades
e filhos antes de sua morte.
Todavia, querendo imitar na morte seu Senhor e Mestre, como o havia
feito tão perfeitamente em vida, mandou trazer-lhe alguns pães,
benzeu-os e fê-los partir em vários pedacinhos, pois não podia
parti-los ele mesmo, por causa de sua grande fraqueza. Depois,
tomando-os, deu um pedaço a cada frade, ordenando-lhe que o comesse
todo.
Assim como o Senhor antes de sua morte quis tomar uma refeição com
os apóstolos, na Quinta-feira Santa, em sinal de seu amor, o
Seráfico Pai, seu fiel imitador, quis dar aos frades a mesma mostra
de amor.
Assim procedeu à semelhança de Cristo, pois perguntou em seguida se
era quinta-feira. E, como fosse outro dia, respondeu que pensava
ser quinta-feira. Um de seus frades conservou um pedacinho deste
pão. Depois da morte do santo, vários enfermos que o
experimentaram foram curados imediatamente.
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