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Como, por causa de suas enfermidades, não pudesse repousar e visse
os frades por sua causa distrair-se de suas ocupações ou muito
fatigados e como amasse as suas almas mais do que seu próprio corpo,
começou a temer que eles, no seu acúmulo de trabalho, cometessem,
por impaciência, leves ofensas a Deus.
Por isso, um dia disse com piedade e compaixão a seus companheiros:
"Irmãos caríssimos, meus filhinhos, que os trabalhos provocados
por minhas enfermidades não sejam motivo de fadigas para vós, pois o
Senhor vos pagará por mim, seu humilde - servidor, todo o fruto de
vossas obras, neste mundo e no outro, e ainda das que não tiverdes
podido fazer por causa dos cuidados de minha doença. Além do mais
tereis maior lucro do que se trabalhardes para vós mesmos, pois quem
me ajuda a toda a Ordem e a vida dos frades. De resto, podeis
redargüir-me: 'Fizemos despesas por ti e o Senhor será nosso
devedor em teu lugar.
O Seráfico Pai, no seu ardente zelo pela perfeição de suas
almas, falava assim para elevar e reanimar seus espíritos
arrefecidos. Temia, com efeito, que alguns, tentados por causa
desse trabalho, dissessem: "Não podemos rezar porque estamos
demasiado atarefados". E que assim, tornando-se impacientes e
ociosos, perdessem o grande proveito espiritual deste pequeno
trabalho.
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