CAPÍTULO 89. Como temia que os frades se aborrecessem por causa de seus achaques e enfermidades

Como, por causa de suas enfermidades, não pudesse repousar e visse os frades por sua causa distrair-se de suas ocupações ou muito fatigados e como amasse as suas almas mais do que seu próprio corpo, começou a temer que eles, no seu acúmulo de trabalho, cometessem, por impaciência, leves ofensas a Deus.

Por isso, um dia disse com piedade e compaixão a seus companheiros: "Irmãos caríssimos, meus filhinhos, que os trabalhos provocados por minhas enfermidades não sejam motivo de fadigas para vós, pois o Senhor vos pagará por mim, seu humilde - servidor, todo o fruto de vossas obras, neste mundo e no outro, e ainda das que não tiverdes podido fazer por causa dos cuidados de minha doença. Além do mais tereis maior lucro do que se trabalhardes para vós mesmos, pois quem me ajuda a toda a Ordem e a vida dos frades. De resto, podeis redargüir-me: 'Fizemos despesas por ti e o Senhor será nosso devedor em teu lugar.

O Seráfico Pai, no seu ardente zelo pela perfeição de suas almas, falava assim para elevar e reanimar seus espíritos arrefecidos. Temia, com efeito, que alguns, tentados por causa desse trabalho, dissessem: "Não podemos rezar porque estamos demasiado atarefados". E que assim, tornando-se impacientes e ociosos, perdessem o grande proveito espiritual deste pequeno trabalho.