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O Seráfico Pai tinha tão grande e fervoroso amor à paixão de
Cristo e às suas dores, experimentandoas em si mesmo, e de tal modo
se afligia interior e exteriormente com os mistérios de tão dolorosa
paixão, que descurava de suas próprias enfermidades. Embora
sofresse já há muito tempo, e até à sua morte, do estômago, do
fígado e do baço e, depois que regressou do Oriente, sofresse
também dos olhos, que estavam constantemente enfermos, não se
tratava de modo algum.
Por isso, vendo o Senhor de Óstia quanto o santo era austero para
seu próprio corpo e vendo, sobretudo, que começava a perder a vista
por não permitir que tratassem dela, admoestou-o com muita
compaixão, dizendo-lhe: "Irmão, não ages bem quando não te
deixas tratar, pois teu corpo e tua saúde são úteis aos frades, aos
leigos e à Igreja inteira; se tiveste compaixão de teus frades
enfermos, se te mostraste sempre compassivo e misericordioso para com
eles, não deverás agora, que te encontras em grande necessidade,
ser cruel contigo mesmo. Ordeno-te, pois, que te faças socorrer e
medicar para ver se recuperas a saúde".
Mas nosso santo pai tinha como doçura todas as amarguras, pois
encontrava grande consolação em imitar o humilde Filho de Deus e em
seguir-lhe as pegadas.
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