SEXTA PARTE

De seu ardente e contínuo amor à paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo


CAPÍTULO 91. Como negligenciava as suas próprias enfermidades por amor à paixão de Cristo

O Seráfico Pai tinha tão grande e fervoroso amor à paixão de Cristo e às suas dores, experimentandoas em si mesmo, e de tal modo se afligia interior e exteriormente com os mistérios de tão dolorosa paixão, que descurava de suas próprias enfermidades. Embora sofresse já há muito tempo, e até à sua morte, do estômago, do fígado e do baço e, depois que regressou do Oriente, sofresse também dos olhos, que estavam constantemente enfermos, não se tratava de modo algum.

Por isso, vendo o Senhor de Óstia quanto o santo era austero para seu próprio corpo e vendo, sobretudo, que começava a perder a vista por não permitir que tratassem dela, admoestou-o com muita compaixão, dizendo-lhe: "Irmão, não ages bem quando não te deixas tratar, pois teu corpo e tua saúde são úteis aos frades, aos leigos e à Igreja inteira; se tiveste compaixão de teus frades enfermos, se te mostraste sempre compassivo e misericordioso para com eles, não deverás agora, que te encontras em grande necessidade, ser cruel contigo mesmo. Ordeno-te, pois, que te faças socorrer e medicar para ver se recuperas a saúde".

Mas nosso santo pai tinha como doçura todas as amarguras, pois encontrava grande consolação em imitar o humilde Filho de Deus e em seguir-lhe as pegadas.