SÉTIMA PARTE

De seu zelo pela oração e ofício divino e como preservava a alegria do espírito nele e em seus companheiros


CAPÍTULO 94. Da oração e do ofício divino

Embora agravado por numerosas enfermidades, como já dissemos, o santo continuava tão piedoso e assíduo na oração e no ofício divino, que orava ou recitava as Horas Canônicas sem se apoiar jamais à parede ou a um pilar. Mantinha-se sempre de pé, cabeça descoberta e, às vezes, de joelhos. Além disso passava grande parte da noite em oração.

Mesmo quando percorria o mundo a pé, suspendia sempre suas andanças quando queria dizer as Horas.

Se ia a cavalo, por causa de uma enfermidade qualquer, apeava sempre para recitar as Horas.

Um dia em que viajava a cavalo, coagido pela enfermidade e por uma premente necessidade, quis descer do animal para recitar o ofício, se bem que chovesse torrencialmente. Recitou o ofício em plena chuva, com tanto fervor e unção, como se estivesse na igreja ou em sua cela. Nesta ocasião disse a seu companheiro estas palavras: "Se o corpo tem necessidade de comer em paz e sossego seu alimento, com que respeito e devoção a alma deverá receber seu alimento, isto é, seu próprio Deus?"