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São Francisco se empenhava de modo particular em possuir, fora da
oração e do oficio divino, a alegria interior e exterior. E ainda
gostava de vê-la nos outros frades, repreendendo-os sempre que
revelavam tristeza e mau humor.
Costumava dizer: "Se o servo de Deus se dispõe a alcançar e
conservar interior e exteriormente a alegria de espírito, que provém
da pureza do coração e se obtém pela piedade na oração, os
demônios não poderão causar-lhe mal algum e hão de dizer:
'Porque o servo de Deus possui a alegria, tanto na adversidade como
na prosperidade, não encontram meios de penetrar nele e
molestá-lo'. Todavia alegram-se muito quando conseguem, de
qualquer maneira, arrefecer e impedir-lhe a piedade e a alegria que
emanam da oração fervorosa e de outras santas obras. Pois se o diabo
pode alcançar alguma coisa para si do servo de Deus e se este não
sabe nem procura, quanto antes, destruí-lo e aniquilar-lhe a
influência por meio da santa oração, da contrição e da
confissão, o demônio fará em pouco tempo do fio do cabelo uma corda
que engrossará continuamente. Pois, meus irmãos, esta alegria de
espírito brotará da limpidez do coração e da pureza da oração
continua. Urge, pois, que vos empenheis, antes de tudo, por
adquirir e conservar estas duas virtudes, para poderdes possuir,
interior e exteriormente, esta mesma alegria que amo com toda minha
alma e desejo firmemente encontrar em vós e em mim, para a
edificação do próximo e confusão do inimigo. A este e a seu
cortejo infernal cabe a tristeza, a nós a alegria e o regozijo de
estarmos no Senhor".
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