CAPÍTULO 97. Como ensinava aos frades a manterem o corpo ocupado para que os benefícios da oração não fossem desperdiçados

Considerando e compreendendo que o corpo foi criado para servir a alma e que os atos materiais devem ser praticados com fins espirituais, o Seráfico Pai dizia sempre: "O servo de Deus deve satisfazer, razoavelmente, seu corpo com alimentação, repouso e outras necessidades, a fim de que o irmão Corpo não se queixe dizendo: 'Não posso mais ficar de pé e assim permanecer durante a oração, nem me fortalecer na adversidade, nem fazer qualquer boa obra, pois não me propicias o de que necessito'.

Mas se o servo de Deus prover razoavelmente o seu corpo dos bens de que necessita, e ele ainda se mostrar negligente, preguiçoso e sonolento na oração, nas vigílias e em outras boas obras, deverá castigá-lo como a um animal ruim e preguiçoso que quer comer, mas recusa-se ao mérito de 'carregar o fardo'. Mas se em razão da indigência e da pobreza não pode ter o que necessita na saúde ou na enfermidade, se pediu ao seu irmão ou superior, humilde e honestamente, por amor de Deus e não lhe foi dado, que suporte pacientemente por amor de Deus que suportou também o mesmo, procurou quem o aliviasse e não encontrou. Se ele suporta com paciência, o Senhor contá-lo-a entre os mártires. E porque fez o que pôde, isto é, porque pediu humildemente que fosse provido daquilo de que necessitava, será absolvido de tudo, mesmo que o seu corpo tenha sofrido gravemente"