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Considerando e compreendendo que o corpo foi criado para servir a alma
e que os atos materiais devem ser praticados com fins espirituais, o
Seráfico Pai dizia sempre: "O servo de Deus deve satisfazer,
razoavelmente, seu corpo com alimentação, repouso e outras
necessidades, a fim de que o irmão Corpo não se queixe dizendo:
'Não posso mais ficar de pé e assim permanecer durante a oração,
nem me fortalecer na adversidade, nem fazer qualquer boa obra, pois
não me propicias o de que necessito'.
Mas se o servo de Deus prover razoavelmente o seu corpo dos bens de
que necessita, e ele ainda se mostrar negligente, preguiçoso e
sonolento na oração, nas vigílias e em outras boas obras, deverá
castigá-lo como a um animal ruim e preguiçoso que quer comer, mas
recusa-se ao mérito de 'carregar o fardo'. Mas se em razão da
indigência e da pobreza não pode ter o que necessita na saúde ou na
enfermidade, se pediu ao seu irmão ou superior, humilde e
honestamente, por amor de Deus e não lhe foi dado, que suporte
pacientemente por amor de Deus que suportou também o mesmo, procurou
quem o aliviasse e não encontrou. Se ele suporta com paciência, o
Senhor contá-lo-a entre os mártires. E porque fez o que pôde,
isto é, porque pediu humildemente que fosse provido daquilo de que
necessitava, será absolvido de tudo, mesmo que o seu corpo tenha
sofrido gravemente"
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