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De outra feita, enquanto o santo pregava na praça de Perusa, no
meio de grande multidão, alguns cavaleiros se puseram a galopar na
praça, empunhando armas. Impediam-no de pregar e embora os
assistentes tivessem protestado se recusaram a parar.
São Francisco voltou-se então para eles e lhes disse com grande
fervor e devoção: "Escutai e compreendei o que o Senhor vos
anuncia por mim, seu humilde servidor, e não digais: 'Oh! é um
habitante de Assis"' (falava assim por haver uma velha amizade entre
o povo de Perusa e o de Assis).
E bradou-lhes: ('O Senhor vos elevou acima de vossos vizinhos,
devíeis, portanto, ser mais gratos ao vosso Criador,
humilhando-vos não somente perante Deus, mas também perante os
vossos vizinhos. Mas vosso coração cresceu no orgulho, devastastes
os países vizinhos e matastes os seus habitantes. Advirto-vos,
portanto, que se não vos converterdes imediatamente a Deus, dando
satisfação aos que lesastes, o Senhor que não deixa nada impune vos
fará precipitar-vos uns contra os outros, em grande vingança, para
castigo vosso. Presa da revolta e da guerra civil, sofrereis também
tribulações maiores do que as que os vossos vizinhos padeceram por
vossa causa".
Quando são Francisco pregava não silenciava jamais sobre os pecados
do povo, mas os expunha pública e rigorosamente. O Senhor lhe dera
para isto tanta graça que os que o viam ou ouviam, qualquer que fosse
o seu estado ou condição, o temiam e respeitavam tanto que, embora
tivessem sido energicamente repreendidos, ficavam sempre edificados com
suas palavras e se convertiam ao Senhor, ou se arrependiam em
conseqüência.
Poucos dias depois, permitiu Deus que uma disputa eclodisse entre os
cavaleiros e o povo, de modo que este os expulsou da cidade. Os
cavaleiros, apoiados pela Igreja e devastaram os campos, as vinhas,
as árvores e fizeram ao povo todo o mal que puderam. Por seu turno,
o povo saqueou os bois dos cavaleiros e assim, como predissera São
Francisco, um e outro foi punido.
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