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Um menino muito puro e inocente foi recebido na Ordem, vivendo S.
Francisco; e estava em um pequeno convento no qual por necessidade os
frades dormiam dois em cada leito. Veio S. Francisco uma vez ao
dito convento e de tarde, ditas Completas, foi dormir a fim de poder
levantar-se à noite para orar quando os outros frades estivessem a
dormir, como tinha costume de fazer. O dito menino pôs no coração
espiar solicitamente a vida de S. Francisco, para poder conhecer a
sua santidade e especialmente para saber o que ele fazia à noite quando
se levantava.
E, para não ser enganado pelo sono, pôs-se esse menino a dormir ao
lado de S. Francisco e amarrou a sua corda com a de S. Francisco,
para perceber quando ele se levantasse: de nada disso S. Francisco
se apercebeu. Mas à noite, no primeiro sono, quando todos os frades
dormiam, S. Francisco se levantou e achou a sua corda assim atada,
soltou-a tão docemente que o menino não sentiu, e saiu S.
Francisco sozinho para o bosque que ficava próximo do convento, e
entrou em uma cova que ali havia e ficou em oração.
Depois de algum tempo, o menino despertou e achando a corda desatada e
S. Francisco levantado, levantou-se também e foi procurá-lo e,
encontrando aberta a passagem que dava para o bosque, pensou que S.
Francisco ali estivesse e penetrou no bosque.
E logo, chegando ao ponto onde S. Francisco orava, começou a
ouvir a grande conversação: e aproximando-se mais para entender o
que ouvia, chegou a ver uma luz admirável que cercava S. Francisco
e nela viu Cristo e a Virgem Maria e S. João Batista e o
Evangelista e grandíssima multidão de anjos, os quais falavam com
S. Francisco. Vendo isto, o menino caiu no chão sem sentidos;
depois, acabado o mistério daquela santa aparição, voltando S.
Francisco ao convento, tropeçou no corpo do menino que jazia na
estrada como morto, e por compaixão carregou-o nos braços e
colocou-o no leito como faz o bom pastor com a sua ovelha.
E depois, sabendo dele como tinha visto a dita visão, ordenou-lhe
que nada dissesse a ninguém enquanto ele fosse vivo. O menino
crescendo, pois, em grande graça de Deus e devoção de S.
Francisco, foi homem de valor na Ordem; e somente depois da morte de
S. Francisco revelou aos irmãos a dita visão.
Em louvor de Cristo. Amém.
Um menino muito puro e inocente foi recebido na Ordem, vivendo S.
Francisco; e estava em um pequeno convento no qual por necessidade os
frades dormiam dois em cada leito. Veio S. Francisco uma vez ao
dito convento e de tarde, ditas Completas, foi dormir a fim de poder
levantar-se à noite para orar quando os outros frades estivessem a
dormir, como tinha costume de fazer.
O dito menino pôs no coração espiar solicitamente a vida de S.
Francisco, para poder conhecer a sua santidade e especialmente para
saber o que ele fazia à noite quando se levantava. E, para não ser
enganado pelo sono, pôs-se esse menino a dormir ao lado de S.
Francisco e amarrou a sua corda com a de S. Francisco, para
perceber quando ele se levantasse: de nada disso S. Francisco se
apercebeu.
Mas à noite, no primeiro sono, quando todos os frades dormiam, S.
Francisco se levantou e achou a sua corda assim atada, soltou-a tão
docemente que o menino não sentiu, e saiu S. Francisco sozinho para
o bosque que ficava próximo do convento, e entrou em uma cova que ali
havia e ficou em oração. Depois de algum tempo, o menino despertou
e achando a corda desatada e S. Francisco levantado, levantou-se
também e foi procurá-lo e, encontrando aberta a passagem que dava
para o bosque, pensou que S. Francisco ali estivesse e penetrou no
bosque.
E logo, chegando ao ponto onde S. Francisco orava, começou a
ouvir a grande conversação: e aproximando-se mais para entender o
que ouvia, chegou a ver uma luz admirável que cercava S. Francisco
e nela viu Cristo e a Virgem Maria e S. João Batista e o
Evangelista e grandíssima multidão de anjos, os quais falavam com
S. Francisco.
Vendo isto, o menino caiu no chão sem sentidos; depois, acabado o
mistério daquela santa aparição, voltando S. Francisco ao
convento, tropeçou no corpo do menino que jazia na estrada como
morto, e por compaixão carregou-o nos braços e colocou-o no leito
como faz o bom pastor com a sua ovelha.
E depois, sabendo dele como tinha visto a dita visão, ordenou-lhe
que nada dissesse a ninguém enquanto ele fosse vivo. O menino
crescendo, pois, em grande graça de Deus e devoção de S.
Francisco, foi homem de valor na Ordem; e somente depois da morte de
S. Francisco revelou aos irmãos a dita visão. Em louvor de
Cristo. Amém.
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