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Outra vez, quando o bem-aventurado Francisco estava sentado junto ao
fogo, esquentando-se, ele (o noviço) tornou a falar-lhe sobre o
saltério. E o bem-aventurado Francisco lhe disse; “Depois que
tiveres o saltério, vais ficar com vontade e querer um breviário.
Depois que tiveres o breviário, te sentarás na poltrona como um
grande prelado, dizendo ma teu irmão: Traz-me o breviário”. E
dizendo isso, com grande fervor de espírito pegou cinza com a mão e
colocou-a em cima da cabeça, levando a mão em volta da cabeça,
como alguém que se lava, dizendo para si mesmo: “Quero um
breviário! Quero um breviário!”. E falando assim muitas vezes,
repetiu-o passando a mão pela cabeça. Aquele frade ficou estupefato
e envergonhado.
Depois, o bem-aventurado Francisco lhe disse: “Irmão, eu
também fui tentado a ter livros, de modo semelhante; mas para
conhecer a vontade de Deus a respeito disso, peguei um livro em que
estavam escritos os Evangelhos do Senhor e orei ao Senhor para que se
dignasse mostrar sua vontade a para mim a respeito dessas coisss na
primeira vez que abrisse o livro. Terminada a oração, na primeira
vez que abri o livro encontrei aquela palavra do santo Evangelho: A
vós foi dado conhecer os mistérios do reino de Deus; aos outros,
porém, em parábolas (Lc 8,10; cfr. Mc 4,11)”. E
disse: “São tantos os que sobem à ciência que feliz será quem e
fizer estéril por amor do Senhor Deus”.
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