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Depois, passados vários meses, quando o bem-aventurado Francisco
estava perto da igreja de Santa Maria da Porciúncula, perto de sua
cela no caminho atrás da casa, e aquele frade falou-lhe de novo sobre
o saltério. O bem-aventurado Francisco disse-lhe: “Vá fazer
como te disser o teu ministro”. Ouvindo isso, o frade começou a
voltar pelo caminho por onde tinha vindo. Mas o bem-aventurado
Francisco, permanecendo no caminho, começou a pensar no que tinha
dito àquele frade, e logo gritou para ele, dizendo: “Espera-me,
irmão, espera!”. e assim foi até junto dele, dizendo: “Volta
comigo, irmão, e mostra-me o lugar em que te disse que fizesses do
saltério o que te dissesse o teu ministro”.
Quando chegaram ao lugar onde tinha dito aquela palavra, o
bem-aventurado Francisco inclinou-se diante do frade e, ficando de
joelhos, disse: “Minha culpa, irmão, minha culpa, porque quem
quiser ser frade menor não deve ter senão as túnicas, como a regra
lhe concede, o cordão e os calções e, os que forem obrigados por
manifesta necessidade ou doença, os calçados”. Por isso, a todos
os frades que iam a ele para ter seu conselho a respeito disso,
dava-lhes essa resposta”. Por isso dizia: “Uma pessoa tem tanto
conhecimento de ciência quanto põe em prática; e um religioso é
tão bom orador quanto ele mesmo pratica”. Como se dissesse: uma
árvore boa não é conhecida senão pelo seu fruto (cfr. Mt
12,33; Lc 6,44)”.
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