CAPÍTULO 105

Depois, passados vários meses, quando o bem-aventurado Francisco estava perto da igreja de Santa Maria da Porciúncula, perto de sua cela no caminho atrás da casa, e aquele frade falou-lhe de novo sobre o saltério. O bem-aventurado Francisco disse-lhe: “Vá fazer como te disser o teu ministro”. Ouvindo isso, o frade começou a voltar pelo caminho por onde tinha vindo. Mas o bem-aventurado Francisco, permanecendo no caminho, começou a pensar no que tinha dito àquele frade, e logo gritou para ele, dizendo: “Espera-me, irmão, espera!”. e assim foi até junto dele, dizendo: “Volta comigo, irmão, e mostra-me o lugar em que te disse que fizesses do saltério o que te dissesse o teu ministro”.

Quando chegaram ao lugar onde tinha dito aquela palavra, o bem-aventurado Francisco inclinou-se diante do frade e, ficando de joelhos, disse: “Minha culpa, irmão, minha culpa, porque quem quiser ser frade menor não deve ter senão as túnicas, como a regra lhe concede, o cordão e os calções e, os que forem obrigados por manifesta necessidade ou doença, os calçados”. Por isso, a todos os frades que iam a ele para ter seu conselho a respeito disso, dava-lhes essa resposta”. Por isso dizia: “Uma pessoa tem tanto conhecimento de ciência quanto põe em prática; e um religioso é tão bom orador quanto ele mesmo pratica”. Como se dissesse: uma árvore boa não é conhecida senão pelo seu fruto (cfr. Mt 12,33; Lc 6,44)”.