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Certa ocasião, como se aproximasse o capítulo dos frades, que devia
ser feito junto da igreja de Santa Maria da Porciúncula, disse o
bem-aventurado Francisco a seu companheiro: “Não me parece que eu
seja um frade menor a não ser que esteja no estado que vou te dizer”.
E disse: “Eis que os frades, com grande devoção e veneração
vêm e me convidam para o capítulo, e eu, movido por sua devoção,
vou ao capítulo com eles. E, todos reunidos, pedem que anuncie a
palavra de Deus entre eles; levantando-me, prego-lhes como me
ensinar o Espírito Santo.
Acabada a pregação, digamos que pensem e digam contra mim: Não
queremos que reines sobre nós (cfr. Lc 19,14); pois não és
eloqüente e és simples demais, e ficamos com muita vergonha de ter um
prelado tão simples e desprezível acima de nós; por isso não tenhas
daqui em diante a pretensão de te chamar de nosso prelado. E sim me
expulsam envergonhando-me. “Por isso não me parece que eu seria um
frade menor se não me alegrar do mesmo modo, quando me desprezam e me
expulsam com vergonha, não querendo que eu seja o seu prelado, como
quando me honra e veneram, sendo, de qualquer forma, igual o proveito
para eles.
Pois, se me alegro de seu proveito e devoção, quando me exaltam e
honram, onde pode haver perigo da alma, é mais conveniente que eu
deva me alegrar e ficar satisfeito com o meu proveito e a salvação de
minha alma, quando me expulsam com vergonha, onde há lucro da
alma”.
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