CAPÍTULO 111

Certa ocasião, o bem-aventurado Francisco estava no eremitério de Santo Eleutério perto de um castro chamado Quintiliano, na região de Rieti. Como não usava senão uma túnica, certo dia, por causa do grande frio e da grande necessidade, remendou sua túnica e a túnica de seu companheiro por dentro com alguns retalhos, de modo que seu corpo começou a se consolar um pouco. Pouco depois, quando voltava um dia da oração, disse com grande alegria a seu companheiro: “Eu tenho que ser forma e exemplo de todos os frades, porque ainda que meu corpo tenha necessidade de uma túnica remendada, preciso pensar nos meus frades, para os quais isso também é necessário, e eles talvez não tenham nem podem ter.

Por isso tenho que condescender com ele e preciso sofrer as mesmas necessidades que eles sofrem,, para que eles, vendo isso, consigam suportar com mais paciência”. Mas nós, que estivemos com ele, não poderíamos dizer quantas e quão grandes necessidades ele negou a seu corpo na comida e na roupa, para dar bom exemplo aos frades e para que suportassem suas necessidades com maior paciência. E nisso teve sempre o seu maior e mais importante cuidado bem-aventurado Francisco, principalmente depois que os frades começaram a se multiplicar e ele se demitiu do ofício de prelado, para ensinar os frades mais com obras do que com palavras o que deviam fazer e o que deviam evitar.