CAPÍTULO 114

Quando o bem-aventurado Francisco foi a eremitério dos frades perto de Rocca di Brizio, para pregar às pessoas daquela província, aconteceu naquele dia em que devia pregar que um homem pobrezinho e enfermiço veio a ele. Quando o viu, começou a considerar sua pobreza e enfermidade, de modo que, movido de piedade, vendo a pobreza e enfermidade dele, começou a conversar com seu companheiro sobre sua nudez e doença, com pena dele. E seu companheiro disse-lhe: “Irmão, é verdade que este homem é bem pobre, mas talvez em toda a província não haja outro mais rico que ele na vontade”.

O bem-aventurado Francisco repreendeu-o porque não tinha falado bem, e por isso disse sua culpa. E o bem-aventurado Francisco lhe disse: “Queres fazer, por isso, a penitência que vou te indicar?”. Ele respondeu: “De boa vontade”. Disse-lhe então: “Vá tirar tua túnica, vá nu diante do pobre, lança-te aos pés dele e diz-lhe como pecaste contra ele, porque fizeste uma detração; e diz-lhe que ore por ti, para que deus te perdoe”. Por isso ele foi e fez tudo como lhe dissera o bem-aventurado Francisco; feito isso, levantou-se, vestiu a túnica e voltou para o bem-aventurado Francisco.

E o bem-aventurado Francisco lhe disse: “Quer que te diga como pecaste contra ele, e até contra Cristo?”. E disse: “Quando vês um pobre deves pensar naquele em cujo nome ele veio, isto é, Cristo, que veio assumir nossa pobreza e enfermidade; pois a pobreza e a doença deste homem é como um espelho para nós, no qual devemos espelhar e considerar com piedade a pobreza e enfermidade de nosso Senhor Jesus Cristo, que carregou em seu corpo pela salvação do gênero humano”.