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Quando o bem-aventurado Francisco estava em certo monte com Frei
Leão de Assis e Frei Bonício de Bolonha para fazer a Regra -
porque a primeira, que tinha mandado escrever ouvindo Cristo - muitos
ministros se reuniram com Frei Elias, que era o vigário do
bem-aventurado Francisco, e lhe disseram: “Ouvimos que esse Frei
Francisco está fazendo uma regra nova; tememos que a faça tão
áspera que não a possamos observar. Queremos que te apresentes a ele
e lhe digas que nós não queremos ser obrigados a essa Regra;
faça-a para ele, não para nós”.
Frei Elias respondeu-lhes que não queria ir, pois temia a
repreensão de Frei Francisco. Como eles insistiam para que fosse,
disse que não iria sem eles. Então, foram todos. Quando Frei
Elias estava com esses ministros perto do lugar onde estava o
bem-aventurado Francisco, chamou-o; quando o bem-aventurado
Francisco respondeu e viu os referidos ministros, disse: “O que
querem esses frades?” Frei Elias respondeu: “Estes são
ministros, que, ouvindo dizer que fazes uma nova Regra, e temendo
que a faças áspera demais, dizem e protestam que não querem ser
obrigados a ela. Que a faças para ti, e não para eles”.
Então o bem-aventurado Francisco voltou sua face para o céu e assim
falou com Cristo: “Senhor, eu não disse que não creriam em ti?”
Então se ouviu no ar a voz de Cristo que respondia: “Francisco,
não há nada de teu na Regra; tudo que está lá é meu”. E quero
que a regra seja observada à letra, à letra, à letra, e sem
glosa, sem glosa, sem glosa”. E acrescentou: “Eu sei do que é
capaz a fraqueza humana e quanto quero ajudá-los. Os que não
quiserem observá-la, que saiam da Ordem”. Então o
bem-aventurado Francisco voltou-se para aqueles frades e lhes disse:
“Ouvistes? Ouvistes? Querem que os faça ouvir outra vez?”.
Então aqueles ministros, confundidos e reconhecendo sua culpa, foram
embora.
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