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Uma vez alguns frades disseram ao bem-aventurado Francisco: “Pai,
será que não vês que às vezes os bispos não nos permitem pregar, e
nos fazem ficar muitos dias ociosos em algum lugar, antes de podermos
pregar ao povo? Seria melhor que pedisses que os frades tivessem um
privilégio do senhor papa, e fosses a salvação das almas”.
Respondeu-lhes com uma grande repreensão, dizendo: “Vós,
Frades menores, não conheceis a vontade de Deus, e não me permitis
converter todo o mundo, como Deus quer. Porque eu quero converter
primeiro os prelados, pela humildade e a reverência, e quando eles
virem vossa vida santa e a reverência que tendes para com eles, vão
rogar eles mesmos que vós pregueis e convertais o povo. E vão
convoca-lo para vós melhor do que os privilégios que quereis, que
vos levarão à soberba. Se fordes alheios a toda avareza e
inculcardes ao povo para que entreguem às igrejas os seus direitos,
eles mesmos vão rogar que escuteis a confissão do seu povo; ainda que
não devais pensar nisso, porque, se se converterem, vão saber
encontrar confessores. Eu quero para mim este privilégio do Senhor:
não ter nenhum privilégio que venha dos homens, a não ser prestar
reverência a todos e pela obediência da santa Regra converter a todos
mais pelo exemplo do que pela palavra”.
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