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Uma noite, o bem-aventurado Francisco foi tão afligido pelas dores
das doenças que quase não pôde descansar nem dormir naquela noite.
De manhã, como a dor tivesse diminuído um pouquinho, mandou chamar
todos os frades que havia no lugar e, quando se sentaram à sua
frente, olhou para eles considerando-os representantes de todos os
frades. E começando por um frade, abençoou a todos, pondo a mão
direita na cabeça de cada um; abençoou a todos os que estavam na
Religião e deveriam vir até o fim do mundo; e parece que se
compadecia de si mesmo porque não tinha podido ver seus filhos e frades
antes de sua morte.
Depois mandou que trouxessem pães para diante dele e os abençôou; e
como não podia parti-los por causa da enfermidade, fez que um frade
os partisse em muitos pedacinhos. Tomando-os, deu um pedacinho a
cada um dos frades, mandando que o comesse inteiro. Pois, como o
Senhor quis comer com os apóstolos na quinta feira, antes de sua
morte, assim de algum modo pareceu àqueles frades que o
bem-aventurado Francisco quis abençoa-los antes de sua morte e,
neles, a todos os outros frades, e que comessem aquele pão abençoado
como se de alguma forma estivessem comendo com os outros seus frades.
Creio que podemos ver isso claramente, porque, como não era uma
quinta-feira, ele disse aos frades que achava que era uma
quinta-feita. Um daqueles frades guardou um pedacinho daquele pão.
E, depois da morte do bem-aventurado Francisco, alguns, que
provaram dele em suas doenças, foram imediatamente libertados.
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