CAPÍTULO 22

Uma noite, o bem-aventurado Francisco foi tão afligido pelas dores das doenças que quase não pôde descansar nem dormir naquela noite. De manhã, como a dor tivesse diminuído um pouquinho, mandou chamar todos os frades que havia no lugar e, quando se sentaram à sua frente, olhou para eles considerando-os representantes de todos os frades. E começando por um frade, abençoou a todos, pondo a mão direita na cabeça de cada um; abençoou a todos os que estavam na Religião e deveriam vir até o fim do mundo; e parece que se compadecia de si mesmo porque não tinha podido ver seus filhos e frades antes de sua morte.

Depois mandou que trouxessem pães para diante dele e os abençôou; e como não podia parti-los por causa da enfermidade, fez que um frade os partisse em muitos pedacinhos. Tomando-os, deu um pedacinho a cada um dos frades, mandando que o comesse inteiro. Pois, como o Senhor quis comer com os apóstolos na quinta feira, antes de sua morte, assim de algum modo pareceu àqueles frades que o bem-aventurado Francisco quis abençoa-los antes de sua morte e, neles, a todos os outros frades, e que comessem aquele pão abençoado como se de alguma forma estivessem comendo com os outros seus frades.

Creio que podemos ver isso claramente, porque, como não era uma quinta-feira, ele disse aos frades que achava que era uma quinta-feita. Um daqueles frades guardou um pedacinho daquele pão. E, depois da morte do bem-aventurado Francisco, alguns, que provaram dele em suas doenças, foram imediatamente libertados.