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Na verdade o amigo de Deus desprezava enormemente tudo que é do
mundo, mas execrava acima de tudo o dinheiro. Por isso foi a coisa
que mais desprezou desde o princípio de sua conversão, e sempre
insinuou aos que o seguiam que deviam fugir dele como dia diabo. Esta
era a advertência que dava aos seus: que deviam gostar de dinehiro e
de esterco como se divessem o mesmo preço. Aconteceu, assim, certo
dia, que um secular entrou na igreja de Santa Maria da Porciúncula
para rezar e, para fazer uma oferta, colocou dinheiro junto da cruz.
Quando ele foi embora, um frade pegou simplesmente com sua mão e o
jogou na janela. Chegou ao sanato o que o frade tinha feito;
vendo-se descoberto, ele correu para pedir perdão, proostrou-se no
chão e se submeteu ao castigo. O santo o questionou e increpou com
muita dureza por ter tocado o dinheiro. Mandou que pegasse o dinheiro
da janela com a própria boca e o levasse para fora da cerca do lugar
para colocá-lo com a boca sobre esterco de asnos. Então o frade
cumpriu a ordem com alegria e o termor encheu os corações ouvintes dos
outros. Todos passaram a desprezar mais o que assim era comparado ao
esterco, e cada dia eram animados por novos exemplos a desprezá-lo.
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