CAPÍTULO 27

Na verdade o amigo de Deus desprezava enormemente tudo que é do mundo, mas execrava acima de tudo o dinheiro. Por isso foi a coisa que mais desprezou desde o princípio de sua conversão, e sempre insinuou aos que o seguiam que deviam fugir dele como dia diabo. Esta era a advertência que dava aos seus: que deviam gostar de dinehiro e de esterco como se divessem o mesmo preço. Aconteceu, assim, certo dia, que um secular entrou na igreja de Santa Maria da Porciúncula para rezar e, para fazer uma oferta, colocou dinheiro junto da cruz.

Quando ele foi embora, um frade pegou simplesmente com sua mão e o jogou na janela. Chegou ao sanato o que o frade tinha feito; vendo-se descoberto, ele correu para pedir perdão, proostrou-se no chão e se submeteu ao castigo. O santo o questionou e increpou com muita dureza por ter tocado o dinheiro. Mandou que pegasse o dinheiro da janela com a própria boca e o levasse para fora da cerca do lugar para colocá-lo com a boca sobre esterco de asnos. Então o frade cumpriu a ordem com alegria e o termor encheu os corações ouvintes dos outros. Todos passaram a desprezar mais o que assim era comparado ao esterco, e cada dia eram animados por novos exemplos a desprezá-lo.