CAPÍTULO 34

Certa vez, em Colle, no condado de Perusa, São Francisco encontrou um pobrezinho que já tinha conhecido no século. Disse-lhe: “Irmão, como vais?”. Mas ele se animou e começou a amontoar maldições sobre o seu patrão, que tirara tudo que era dele: “Graças ao meu patrão, que Deus Onipotente o amaldiçoe, só estou passando mal. Com mais pena de sua alma que de seu corpo, pois persistia num ódio mortal, disse-lhe o bem-aventurado Francisco: “Irmão, perdoa o teu patrão por amor de Deus, para libertares tua alma. Pode ser que ele te devolva o que tirou. Se não, além de perder tuas coisas, vais perder também a alma”. E ele disse; “Não posso absolutamente perdoar, se primeiro ele não me devolver o que tirou”. Como tinha uma capa nas costas, o bem-aventurado Francisco lhe disse: “Olha, eu te dou esta capa, e peço que perdoes teu patrão por amor do Senhor Deus”. Amansado e provocado pelo benefício, ele pegou o presente e perdoou as injúrias.