CAPÍTULO 37

Costumava atacar com este enigma os que não tinham óculos castos: “Um rei piedoso e poderoso mandou sucessivamente dois mensageiros à rainha. O primeiro voltou e se limitou a referir palavra por palavra. Dessa maneira, os olhos do sábio tinha ficado na cabeça, sem cair para lugar nenhum. O outro voltou, e depois de ter contado as poucas palavras, narrou uma longa história sobre a beleza da senhora: Na verdade, senhor, vi uma mulher belíssima. Feliz que quem pode aproveitar. Ele disse: Tu, servo mau, lançaste os olhos impudicos sobre minha esposa? É claro que estavas querendo comprar sutilmente o que admirastes. Mandou chamar de novo o primeiro e disse: “O que achaste da rainha?”. Ele: Ótima, porque ouviu de boa vontade e respondeu sagazmente. E não há nela nenhuma formosura? Senhor meu, isso cabe a ti olhar; eu tinha que referir as palavras. O rei deu a sentença: Tu, casto de olhos, ficareis na camera com o corpo ainda mais casto. Mas esse outro saia da casa, para não poluir meu leito”. Pois dizia: “Quem não deveria temer olhar a esposa de Cristo?”.