CAPÍTULO 43

“Para ele deveria bastar, dizia, ter para si o hábito e o caderninho, e para os frades um porta-penas e o selo. Não seja amontoador de livros, nem muito entregue à leitura, para não tirar do seu encargo e que privilegia para o estudo. Um homem que console os aflitos, por ser o último refúgio dos atribulados, para que não venha a prevalecer nos enfermos a doença do desespero se faltarem junto dele os remédios para a saúde. Para dobrar à mansidão os atrevidos, prosterne-se, ceda alguma coisa a que tem direito para lucrar a alma para Cristo. Não feche as entranhas da piedade para os egressos da Ordem, como para ovelhas que pereceram, sabendo que as tentações são muito fortes, e podem levar a uma queda tão grande”. “Quisera que ele fosse por todos honrado no lugar de Cristo, e que em tudo lhe provessem com a benevolência de Cristo. Na verdade, convém que não se alegre com as honras, nem se deleite mais com os favores que com as injúrias. Se alguma vez precisar comer mais, assuma-o em lugares públicos e não nos escondidos, para que os outros não fiquem com vergonha de cuidar de seus corpos. Cabe principalmente a ele distinguir as consciências escondidas e fazer brotar a verdade dos veios mais ocultos. Não falhe de maneira alguma na forma viril de justiça, Virilem formam iustitie nullatenus labefactet, pois sinta tão grande cargo mais como um pêso que como uma honra. Entretanto, não nasça a moleza da mansidão supérflua, nem a dissolução da disciplina de uma indulgência relaxada, de modo que, com amor por todos, não deixe de ser terror para os que fazem o mal”. “Quero que eles tenham companheiros dotados de honestidade, que a ele e entre si dessem exemplo de todos os bens; firmes diante das angústias, afáveis como é conveniente, e que recebessem com jovialidade todos os que chegassem.. Eis, disse, como deveria ser o ministro geral”.