CAPÍTULO 46

Zelava com muito ardor pela profissão da Regra comum, e deu uma bênção especial aos que eram zelosos por ela. Pois dizia aos seus que ela era o livro da vida, a esperança da salvação, a medula do Evangelho, o caminho da perfeição, a chave do paraíso, o pacto da eterna aliança. Queria que todos a tivessem, que todas a soubessem e, em toda parte servisse para conversar com o homem interior como um impulso na indolência e lembrança do juramento feito. Ensinou a tê-la sempre diante dos olhos para recordar como deviam agir e, o que é mais, que deviam morrer com ela. Houve um irmão leigo que não se esqueceu dessa recomendação, e que nós cremos que deve ser venerado entre os mártires, pois conseguiu a palma da vitória gloriosa. Pois quando os sarracenos o levaram para o martírio, segurou a Regra nas mãos levantadas, dobrou humildemente os joelhos e disse ao companheiro: ”Irmão querido, eu me proclamo culpado diante dos olhos da majestade e diante de ti por todas as coisas que fiz contra esta Regra”. À breve confissão seguiu-se a espada, pelo qual terminou a vida terminou em martírio, ficando conhecido mais tarde pelos sinais e prodígios. Tinha entrado tão jovem na ordem que mal podia suportar o jejum regular. No entanto, apesar de quase criança, levava um cilício sobre a carne. Feliz menino, que começou bem para terminar ainda melhor.