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Certo frade era um homem espiritual, antigo na Religião e foi
familiar do bem-aventurado Francisco. Mas aconteceu que, em certo
tempo, sofreu por muitos dias de gravíssimas e muito cruéis
sugestões do diabo, de modo que quase foi levado, na ocasião, ao
mais profundo desespero, e era tão atormentado todos os dias que
ficava com vergonha de se confessar todas as vezes. Por isso,
afligia-se demais com abstinência, vigílias, lágrimas e
disciplinas. Estando atribulado todos os dias, e por muitos dias,
eis que pela graça de Deus veio ao lugar o bem-aventurado
Francisco. E como certo dia, não muito longe daquele lugar, o
bem-aventurado Francisco estivesse andando com um frade e com ele,
que estava tão atribulado, o bem-aventurado Francisco se afastou um
pouco do outro frade e se juntou ao que estava sendo assim tentado, e
lhe disse: “Querido irmão, quero e te digo que de agora em diante
não tenhas mais que confessar a ninguém as tentações e investidas do
diabo, e não tenhas medo, porque não fizeram nenhum mal a tua alma.
Mas, por minha licença, vais rezar sete Pai-nossos todas as vezes
que fores atormentado por essas sugestões”.
O frade ficou muito contente com o que ele lhe disse, que não tinha
que confessá-las, principalmente porque, como precisava
confessar-se todos os dias, ficava muito confuso; e isso era a causa
de sua maior dor. E o frade ficou admirado da santidade do santo pai,
de como conheceu suas tentações pelo espírito Santo, pois ele não
tinha confessado a mais ninguém se não aos sacerdotes. E também
mudava sempre de sacerdote por causa da vergonha, pois se envergonhava
de um sacerdote conhecesse toda sua enfermidade e tentação. E
imediatamente, desde aquela hora em que o bem-aventurado Francisco
falou com ele, ficou livre daquela grande tribulação, por dentro e
por fora, quem tinha agüentado durante tanto tempo. E pela graça de
Deus , pelos méritos do bem-aventurado Francisco, foi colocado
numa grande calma e paz da alma e do corpo.
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