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Certo frade, homem espiritual e amigo de Deus, morava no lugar dos
frades em Rieti. Um dia, levantando-se, foi com grande devoção
ao eremitério dos frades em Grécio, onde morava nesse tempo o
bem-aventurado Francisco, pelo desejo de vê-lo e de receber sua
bênção. O bem-aventurado Francisco já tinha comido e tinha
voltado à cela onde orava e dormia. Como era quaresma, não descia
da clã a não ser na hora da refeição, e logo voltava para a cela.
O frade ficou muito triste porque não o encontrou, pondo a culpa em
seus pecados, principalmente porque teria que voltar naquele mesmo dia
ao seu lugar.
Como os companheiros do bem-aventurado Francisco o consolassem e ele
já estivesse afastado do lugar na distância de uma pedrada, para
voltar a seu lugar, o bem-aventurado Francisco, por vontade do
Senhor, saiu fora da cela, chamou um de seus companheiros, que ia
com ele até a fonte do lago, e lhe disse: “Dize a esse frade que
olhe para mim”. Quando voltou sua face para o bem-aventurado
Francisco, este o abençoou fazendo um sinal da cruz. O frade, com
alegria interior e exterior louvou o Senhor que cumpriu seu desejo e
ficou ainda mais consolado porque considerou que foi por vontade de
Deus que o abençoou sem ser por pedido seu ou pela palavra de outra
pessoa.
Pois os companheiros do bem-aventurado Francisco e os outros frades
do lugar ficaram admirados, achando que tinha sido um grande milagre,
porque ninguém falou com o bem-aventurado Francisco sobre a vinda
daquele frade; porque nem os companheiros do bem-aventurado Francisco
nem nenhum outro frade ousava ir até ele e não os tivesse chamado; e
não só lá, mas onde quer que o bem-aventurado Francisco ficava em
oração, queria ficar tão afastado que ninguém fosse a ele sem ser
chamado.
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