CAPÍTULO 73

Certo frade, homem espiritual e amigo de Deus, morava no lugar dos frades em Rieti. Um dia, levantando-se, foi com grande devoção ao eremitério dos frades em Grécio, onde morava nesse tempo o bem-aventurado Francisco, pelo desejo de vê-lo e de receber sua bênção. O bem-aventurado Francisco já tinha comido e tinha voltado à cela onde orava e dormia. Como era quaresma, não descia da clã a não ser na hora da refeição, e logo voltava para a cela. O frade ficou muito triste porque não o encontrou, pondo a culpa em seus pecados, principalmente porque teria que voltar naquele mesmo dia ao seu lugar.

Como os companheiros do bem-aventurado Francisco o consolassem e ele já estivesse afastado do lugar na distância de uma pedrada, para voltar a seu lugar, o bem-aventurado Francisco, por vontade do Senhor, saiu fora da cela, chamou um de seus companheiros, que ia com ele até a fonte do lago, e lhe disse: “Dize a esse frade que olhe para mim”. Quando voltou sua face para o bem-aventurado Francisco, este o abençoou fazendo um sinal da cruz. O frade, com alegria interior e exterior louvou o Senhor que cumpriu seu desejo e ficou ainda mais consolado porque considerou que foi por vontade de Deus que o abençoou sem ser por pedido seu ou pela palavra de outra pessoa.

Pois os companheiros do bem-aventurado Francisco e os outros frades do lugar ficaram admirados, achando que tinha sido um grande milagre, porque ninguém falou com o bem-aventurado Francisco sobre a vinda daquele frade; porque nem os companheiros do bem-aventurado Francisco nem nenhum outro frade ousava ir até ele e não os tivesse chamado; e não só lá, mas onde quer que o bem-aventurado Francisco ficava em oração, queria ficar tão afastado que ninguém fosse a ele sem ser chamado.